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Kores do Brasil

Quando tinha onze anos, o cineasta Leonardo Hwan voltava da escola com um amigo em São Paulo, quando um homem de cerca de trinta anos se aproximou, deu um susto nos garotos e gritou que eles deveriam “voltar para o país deles”.

“Nunca esqueci. Fiquei muito assustado”, diz Leonardo, de 27 anos, que é brasileiro e descendente de taiwaneses. Hoje ele conta essa história para explicar porque fazer piada do “pastel de flango” ou gritar “abre o olho, japonês” para descendentes de asiáticos é ofensivo. E ele tem que explicar diversas vezes.

“É racista, é xenófobo. Não é ‘apenas uma piada’. Você está fazendo o mesmo que o cara: está dizendo que a pessoa não pertence, que ela é estrangeira, que não é bem-vinda”, diz Leonardo.

Ele critica uma postagem do prefeito de São Paulo, João Doria, que escreveu a legenda “acelela” em vez de “acelera” (seu slogan) em uma foto durante uma visita à China, na semana passada.

“Quando você diz ‘acelela’, está tirando sarro não dos chineses de lá, mas dos imigrantes daqui, para quem a questão da língua e da adaptação é uma dificuldade real, e para descendentes que lutam há anos para serem aceitos”, afirma Leonardo.

Após a publicação da reportagem, o prefeito João Doria enviou uma nota dizendo que “admira e respeita os chineses e não teve a intenção de ofendê-los com a legenda publicada em suas redes sociais.”

“De uns tempos para cá as pessoas estão menos propensas a aguentarem certas ofensas, piadas e estereótipos. Não toleramos mais”, diz Rodrygo Tanaka, que é descendente de japoneses.

Rodrygo e Leonardo fazem parte de uma geração de filhos e netos de imigrantes de países do leste asiático que estão criando grupos para discutir identidade e discriminação.

Kiko, Beatriz e LeonardoLeonardo criou com esse objetivo o canal do YouTube Yo Ban Boo, com a atriz Beatriz Diaféria e o empresário Kiko Morente.

A estudante de ciências sociais Gabriela Shimabukuro criou a página Perigo Amarelo há quase dois anos. Ela diz que a aceitação no acidente sempre foi um processo de negociação.

“Muitas vezes, o custo social de reagir à discriminação acaba sendo muito alto. Enquanto você acata que é só uma piada e finge que tá tudo bem, você faz parte da branquitude. Mas dentro de um espaço que é bem definido – se sair dele, você incomoda”, afirma ela, que é descendente de imigrantes de Okinawa (província do Japão que possui uma cultura própria).

Luta coletiva

Para Rodrygo, que criou o Asiáticos pela Diversidade em 2015, a discussão sobre identidade asiática aumentou em paralelo com o fortalecimento de outras lutas de minorias.

Sua página fala sobre como é ser descendente de asiáticos dentro da comunidade LGBT.

Já a plataforma Lótus, criada um ano depois, faz uma intersecção entre militância asiática e feminismo.

O feminismo de mulheres asiáticas lida com problemas específicos, como a fetichização: a imposição de estereótipos que hiperssexualizam a mulher em torno da ideia de que ela é exótica e submissa. Assim, o racismo se soma ao machismo na agressão à mulheres não-brancas.

“os impactos dessas violências vão desde a perda da identidade, perda de auto estima, falta de noção sobre seu próprio valor, e demais traumas provindos de abusos físicos, mentais e emocionais”, afirma Caroline Rica Lee, da Lótus.

“A fetichização é resultado de um processo histórico. Estupros e dominação das mulheres sempre foram armas de guerra e dominação. Durante as guerras do Vietnã e da Coreia, os americanos ocuparam esses países e amplificaram a proliferação dessa ideia”, diz Gabriela, do Perigo Amarelo.

Segundo o educador e mestrando em história Fábio Ando Filho, um dos criadores do blog Outra Coluna, que existe há quase dois anos, nesse processo de dominação, enquanto a mulher era fetichizada, o homem asiático sofria um processo de emasculação.

RodrygoEle é retratado como fraco e assexuado e portanto deve ser dominado pela virilidade do homem branco. “Isso gera desde a perda da auto estima até atitudes excessivamente agressivas e machistas para compensar – e aí quem sofre são as mulheres”, diz Fábio.

Representatividade

Sabrina Kim, do canal Kores do Brasil, diz que o que a motivou a criar vídeos sobre o assunto foi ver que os filhos pequenos – de sete e cinco anos – estavam passando pelos mesmos problemas que ela tinha quando criança. “Discriminação contra coreano é sempre tratada como piada. Mas para quem passa por isso é um sofrimento real. Eu tinha vergonha de ser diferente, vergonha da língua. Ouvi coisas horríveis quando criança”, afirma.

A escritora e ilustradora Janaina Tokitaka, que também é mãe, diz que a maneira como os asiáticos são representados na ficção é hoje um dos principais causadores de ideias estereotipadas.

“São sempre papéis secundários e rasos, que reforçam a ideia da gueixa”, reclama ela, que já perdeu a conta de quantas vezes ouviu que “falava muito para uma japonesa”.

Janaína fala sobre outras abordagens incômodas. “Eu estava fazendo uma pesquisa na Japan House quando um homem apontou pra mim e disse para o filho: ‘Tá vendo, é assim que eles são. Eles estão sempre estudando. Esse é um palitinho, é assim que eles comem’. Aí ele sacou uma câmera e começou a tirar fotos. Me senti um bicho no zoológico.”

Para quem trabalha na área cultural, não é só uma questão de representatividade, mas de oportunidades de empregos.

“O papel ‘normal’, ‘neutro’ vai sempre para um branco, e quando tem um que é para asiáticos… eles colocam um branco também”, diz Beatriz, do Yo Ban Boo, relembrando casos como o da novela Sol Nascente. A globo colocou o ator Luis Melo no papel de um japonês e a atriz Giovanna Antonelli como protagonista em um núcleo nipônico.

Na época, o autor Walter Negrão disse que não encontrou “um ator japonês com estofo e a experiência necessária para fazer um protagonista” nem uma atriz “com status de estrela”. A Globo disse que a novela “não era sobre o Japão”.

A questão de representatividade é muito discutida pelo coletivo Oriente-Se, que é mais antigo e tem mais de 200 atores de ascendência asiática.

Beatriz teve que mudar de sobrenome para conseguir ser chamada para os testes de elenco. “Eu usava Koyama e nunca era chamada. Nas poucas vezes que apareciam papéis asiáticos era aquela coisa superestereotipada”, diz ela. A situação melhorou quando ela passou a usar o sobrenome do outro lado da família, Diaféria.

Minoria modelo?

“de certa forma [esse aumento da discussão] é o resultado do envolvimento de descendentes de asiáticos em políticas de esquerda. Por muito tempo, muita pessoas abraçaram o discurso de direita conservadora e acabaram acatando a ideia de minoria modelo”, afirma Rodrygo.

“Minoria modelo”, explica Leonardo Hwan, se refere ao estereótipo de que os descendentes de japoneses são dóceis, estudiosos, trabalham muito e por isso conseguiram posições de destaque na sociedade, grande presença nas universidades etc.

É uma coisa pseudoelogiosa que coloca as pessoas em caixinhas e reforça a opressão de outras minorias, principalmente dos negros. Porque quando você diz que japoneses estão bem porque são trabalhadores, você está implicando que outros grupos não trabalharam e ignorando todo um contexto de perseguição aos negros”, diz Leonardo.

Fabio Ando“o estifma social sofrido por indivíduos asiáticos no Brasil não tange âmbitos da violência racial e opressão policial que mata pessoas negras diariamente, ou o genocídio contemporâneo em curso contra povos indígenas brasileiros”, diz Caroline Rica Lee, do coletivo Lótus.

Solidariedade

Segundo Fábio e Gabriela, os descendentes de asiáticos também têm um papel no racismo antinegro, que precisa ser discutido e combatido. “Muitas vezes reproduzimos a antinegritude, permitimos que mercantilizem nossas culturas e permanecemos calados porque isso nos concede privilégios”, afirma Gabriela, do Perigo Amarelo.

“Não dá para  falar de raça no Brasil sem falar de solidariedade antirracista”, diz Fábio. Ele e Gabriela trabalham para que a discussão vá além da questão sobre representatividade e sobre ser aceito como brasileiro.

“Alguns leitores no blog falam: ‘Ah, então vamos votar em asiáticos para ter mais representação’. Mas não é isso. Não adianta nada votar em asiáticos se eles tiverem uma plataforma neoliberal, uma plataforma que não promova a igualdade”, diz Fábio.

“A gente não pode se contentar em brigar para ser visto como brasileiro e não como estrangeiro. Como você pode falar de brasilidade em um país construído com a ocupação de terras indígenas? A gente vai se contentar em exigir os mesmos privilégios dos brancos ou vamos pensar em construir uma sociedade que seja mais igualitária e justa para todos?”, questiona Gabriela.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40816773

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507827681Mais de 13 mil crianças e jovens entre um e 19 anos foram atendidos.
Maioria das vítimas teve acesso aos medicamentos com própria família.

As hospitalizações por overdose de analgésicos opioides mais que dobrou entre as crianças e adolescentes americanos entre 1997 e 2012, de acordo com um novo estudo publicado na segunda-feira (31).

Tentativas de suicídio e ingestão acidental foram responsáveis por uma parte crescente dessas intoxicações, disseram os autores do artigo publicado na revista médica JAMA Pediatrics.

Eles identificaram mais de 13 mil casos de crianças e adolescentes de entre um e 19 anos hospitalizados por overdose de opioides prescritos por médicos, das quais 176 morreram.

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Entre as crianças de um a quatro anos, as internações aumentaram 205%, e entre os adolescentes de 15 a 19 anos, 161%.

As crianças pequenas foram hospitalizadas principalmente por ingestão acidental de analgésicos, enquanto as tentativas de suicídio ou os ferimentos autoinfligidos representaram a maioria dos casos de overdoses entre os adolescentes com mais de 15 anos de idade, disse a coautora Julie Gaither, epidemiologista na Escola de Medicina da Universidade de Yale.

As overdoses entre outros adolescentes resultaram provavelmente de tentativas de sentir efeitos semelhantes aos de drogas.

Os autores atribuem a explosão do número de overdoses de analgésicos entre as crianças aos seus pais ou a outros adultos em suas famílias que forneceram acesso aos medicamentos.

Em geral, as intoxicações atribuídas a medicamentos prescritos se tornaram a principal causa “de morte resultante de lesão” nos Estados Unidos, afirmam os pesquisadores.

Isso se deve, principalmente, ao grande aumento da presença de analgésicos poderosos em lares americanos.

O uso de drogas disparou nos últimos anos nos Estados Unidos, o que levou as autoridades a soarem os alarmes sobre o aumento acentuado de casos de overdose e dependência.

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Em 2012, os médicos americanos prescreveram 259 milhões de receitas de analgésicos opioides.

O estudo também revelou que 73,5% das crianças e adolescentes que tiveram overdose de opioides eram brancos, e que quase metade deles tinha seguro médico privado.

A proporção de jovens de famílias que têm a cobertura do Medicaid – seguro de saúde federal para americanos de baixa renda – hospitalizados por overdose de opioides aumentou de 24% em 1997 para 44% em 2012, diz o estudo.

 

Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/hospitalizacoes-por-overdose-de-opioides-dobra-entre-jovens-nos-eua.html

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Jung é filho de Freud e tem a missão de continuar o trabalho do pai: colocar um sorriso no rosto dos que passam pelos velórios do Memorial Metrópole Ecumênica de Santos – um prédio de 14 andares que lhe dá o título do mais alto cemitério do mundo.

Freud morreu em outubro, aos 11 anos, e ganhou esse nome por causa da barbicha de sua raça, schnauzer. Além do cemitério, Jung e seu irmão Teddy, também frequentam hospitais – adulto e infantil, casas de repouso, eventos para crianças autistas e com paralisia cerebral, creches, escolas e casas de reabilitação.

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Freud foi o pioneiro da Dr.Auau, que coloca em prática, há 11 anos, a chamada zooterapia – “uma terapia focada em como usar animais para uma interação positiva com os homens”, comenta sua fundadora Victoria Girardelli, jornalista.

Victoria teve essa ideia a partir de um momento pessoal – o acolhimento de Freud durante o processo de cura de um câncer. A presença do animal foi tão importante que a fez pensar em como compartilhar essa experiência. “Ele foi fundamental, me fez companhia, me deu forças, e eu pensei: não quero que ele seja só meu”. Passou a levar Freud para uma república de idosos e a hospitais infantis. Victoria diz que a presença do cachorrinho nesse tipo de ambiente é positivo porque motiva a criança a sair do leito, a andar pelo corredor, a pegar o animal no colo, o que ajuda no intestino, contribuindo para a alta.

Há cerca de um ano, Freud passou a frequentar o Memorial Metrópole Ecumênica de Santos e, segundo sua dona, foi o primeiro cão do mundo a fazer esse tipo de trabalho no ambiente de luto. Com um colete azul de bolsos para levar mensagens de conforto, Freud (e agora Jung) passou a visitar velórios e agradar aqueles com quem interage. “Nesse momento de afago e carinho, você já consegue mexer com os hormônios ocitocina e endorfina, que trazem prazer”, comenta Victoria.

Ela diz que a aceitação é 100% e não há reclamações. O serviço é gratuito e normalmente o cachorro fica na parte externa do velório. Mas se for requisitado, entra na sala. Às vezes, o parente leva o cachorro para ‘apresentá-lo’ ao morto. “Tem gente que pega no colo, leva para o falecido, conversa, tira um cartão e lê em voz alta. E dizem ‘nossa, era isso que eu precisava ouvir agora’. ”

Alguns exemplos de frases levadas aos velórios:

“Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós” – Chico Xavier.

“O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades” – Vinicius de Moraes.

“Há coisas que nunca poderão se explicar com palavras” – Saramago.

“A vida não passa de uma oportunidade de encontro. Só depois da morte se dá a junção. Os corpos tem apenas o abraço, as almas, o enlace” – Victor Hugo.

Para Victoria, a morte é única certeza que a gente tem, mas é uma dor sem medidas e muito pessoal – “cada um passa de uma forma, cada um tem a sua leitura, o seu tempo”. Por isso, esse tipo de carinho num momento de fragilidade é sutil e bastante positivo. “Encontrei minha missão e não largo o osso”, comenta.

Fonte: http://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/2016/11/01/cemiterio-tem-cachorrinho-que-auxilia-em-velorios/

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“O problema não é a ideia de que a homossexualidade possa ser uma escolha, mas a ideia de que a heterossexualidade deva ser obrigatória”

128390110Moro na bolha liberal de Park Slope, no Brooklyn, onde nenhum yuppie (expressão inglesa que significa Jovem Profissional Urbano) jamais admitiria querer que seus filhos fossem alguma coisa em particular, que não pessoas felizes. Mas frequentemente, costumamos definir a felicidade como uma variante das nossas próprias vidas, ou pelo menos das vidas das nossas expectativas. Se frequentamos a universidade, queremos que os nossos filhos estudem na universidade. Se gostamos de esportes, queremos que os nossos filhos gostem de esportes. Se votarmos no Partido Democrata, evidentemente, queremos que nossos filhos votem nos democratas.

Eu sou gay. E quero que meus filhos sejam gays, também.

Muitos dos meus amigos heterossexuais, até os mais liberais, acham esta lógica distorcida. Para eles, admitir que prefeririam que seus filhos fossem héteros, o que só admitiram a contragosto, é uma coisa. Mas querer que minha filha fosse lésbica? Seria o mesmo que dizer que gostaria que ela fosse intolerante à lactose.

“Você não quer que ela seja feliz?” perguntou um amigo. Talvez ele quisesse dizer apenas que é mais fácil ser hétero numa cultura homofóbica. Mas esta é uma atitude de submissão a esta cultura, e até mesmo a reforça. Uma interpretação menos feliz seria que ele considera os héteros seres superiores. Quando eu era adolescente, meu pai me aconselhou a não casar com um preto. “Só procuro proteger você”, disse. Mas era impossível saber se ele pretendia me isolar da discriminação ou implicitamente racionalizar sua discriminação. A ideia de que ninguém escolhe ser gay é muito difundida – até mesmo no movimento pelos direitos dos gays.

No início dos anos 90, em parte como reação ao conceito perigoso de que os gays poderiam ser mudados, os ativistas insistiam na ideia da sexualidade como um estado fixo, inato. Os cientistas até tentaram provar que existe um “gênero gay”. Estes conceitos sobre orientação sexual ajudaram a justificar as proteções legais. A ideia de que pessoas “nascem gays” tornou-se não apenas o tema de uma música de Lady Gaga, mas a justificativa racional dos direitos gays.

“no meu caso, eu não optaria por ser gay”, me disse uma amiga certa vez. Triste admissão, porque ela era.

Antigamente, “gay” significava “feliz”. Mas, com o tempo, os sinônimos acabaram se distinguindo. Gay tornou-se uma situação pessoal infeliz, até mesmo deplorável. Quando o ativista da liberação dos gays, Franklin Kameny, lançou uma simples iniciativa em 1968 proclamando que “gay is good”, foi porque, na época não era. Até 1973, a Associação de Psicologia dos Estados Unidos considerou a homossexualidade uma forma de doença mental. E embora, desde então, a cultura gay tenha se desenvolvido desde então, nossas aspirações não a acompanharam. Hoje é mais aceitável ser gay nos EUA, mas isto não é o mesmo que desejável. Na minha casa, é.

Aqui, talvez você espere que eu diga que, se minha filha fosse gay, ela teria indubitavelmente de enfrentar dificuldades e problemas que não encontraria se fosse hétero. Talvez. E talvez, se eu não fosse uma mãe lésbica branca de classe média alta morando numa cidade liberal, tivesse este tipo de preocupações. Mas independentemente disso, eu gostaria que minha filha fosse ela mesma. Se eu morasse, digamos, na Carolina do Norte, com um filho adotivo no Marrocos, gostaria de pensar que o encorajaria a ser muçulmano, se esta fosse a sua escolha eu faria isto, mesmo que sua vida provavelmente fosse mais fácil se ela não fosse. Também é mais fácil ter sucesso como dentista do que artista. Mas se minha filha quiser ser artista, eu a encorajarei totalmente – e procuraria eliminar todas as barreiras em seu caminho, em vez de cria-las eu mesma.485212911

Além disso, nunca, em momento algum, eu lamentei ser gay, nem deixei de considerar isto um bem, um dom. meus pais me apoiaram absurdamente desde o começo, e contei com uma comunidade sensacional de amigos e mentores que me fizeram sentir incondicionalmente aceita. Na época em que minha filha chegar à maturidade, ela terá mais do que uma rede de apoio, inclusive duas mães, para gritar isto bem alto.

Entretanto, mais do que isto, ser gay abriu meus olhos para o mundo ao meu redor. Aprender que nem todo gay conseguia aceitar isto tão bem quanto eu, me ajudou a perceber que muitas pessoas em geral não tiveram uma experiência positiva como a minha. Eu não seria um ser humano politicamente engajado, e muito menos ativista, escritora e personalidade da TV, se não fosse gay.

Se minha filha for gay, não me preocuparei com a possibilidade de ela ter uma vida difícil. Mas me preocupo com as pessoas que prognosticam que ela terá uma vida difícil – contribuindo para perpetuar a discriminação, que, do contrário, poderia desaparecer mais rapidamente. Quero que minha filha saiba que ser gay é tão desejável quanto ser hétero. O problema não é a ideia de que a homossexualidade possa ser uma escolha, mas a ideia de que a heterossexualidade deva ser obrigatória. Na minha casa, evidentemente, não é. Até compramos livros com figuras que mostram famílias gays, inclusive as que não são muito boas, e também temos um grande número de livros sobre papeis de gênero não tradicionais – com a princesa que gosta de lutar contra os dragões e o menino que gosta de usar vestidos.

Quando minha filha brinca de casinha com seus ursinhos coala de pelúcia, como mamãe e papai, nós a lembramos delicadamente de que poderia haver também um papai e um papai. Às vezes, ela muda seu discurso, outras vezes não. Ela é que escolhe.

Ultimamente só me preocupo com a possibilidade de ela fazer sua escolha e que seja qual for a escolha, ela a faça com entusiasmo e a comemore.

O tempo dirá, mas até o momento, não parece eu minha filha de 6 anos seja gay. Na realidade, ela adora meninos. Me parece um pouco cedo, mas, tento dar-lhe todo o apoio. Recentemente, ela brigou com um menino no ônibus da escola. Ela estava agindo como qualquer criança precoce, socialmente desajeitada faria, ou seja, nada sutil. Conversei com uma amiga que tem uma filha mais velha. “ela quer dar a este menino um cartão e presentes”, falei. “o outro menino é tão tímido que dá até pena. O que faço?”

Minha amiga me respondeu com muita boa vontade e concluiu com um soco no meu estômago: “Aposto que você não se preocuparia se ela brigasse com uma menina”.

Estava certa. Eu sou uma mãe gay que procura defender o gay. Mas vou apoiar minha filha, qualquer seja a sua escolha.

Tradução de Anna Capovilla.

Fonte:http://vida-estilo.estadao.com.br/noticias/comportamento,eu-sou-gay-e-quero-que-meus-filhos-sejam-gays-tambem,1654172

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Brasil é o oitavo país do mundo com maior número de casos, mais de 11,8 mil em 2012; taxa, no entanto, é inferior à média mundial.

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GENEBRA – o suicídio se tornou uma epidemia de proporções globais, mata mais de 800 mil pessoas por ano e 75% dos casos são registrados em países emergentes e pobres, não nas capitais escandinavas, como a cultura popular insiste. Nesta quinta-feira, 4, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publica, pela primeira vez em mais de 50 anos de história, um levantamento global sobre o fenômeno que tira a vida de uma pessoa a cada 40 segundos.

O estigma faz só um pequeno número de países coletar dados sobre o fenômeno. Dos 194 países da OMS, apenas 60 mantêm informações sobre o assunto.

Diante dessa realidade, a Organização Mundial de Saúde vai lancar-se em campanha para ajudar governos a desenhar programas de prevenção e reduzir a taxa em 10% até 2020. Hoje apenas 28 países pelo mundo têm estratégias nacionais de prevenção. “Para cada suicídio cometido, muitos outros tentam a cada ano”, alerta a OMS.

Brasil –  Em termos absolutos, o Brasil é o oitavo país do mundo com maior número de casos de suicídio, mais de 11,8 mil em 2012. Mas, em proporção ao tamanho da população, a taxa é inferior à média mundial. O que preocupa os especialistas é que esse comportamento tem atingido número cada vez maior de pessoas. Em apenas dez anos, o número de suicídios aumentou no País em mais de 10%.

A liderança em termos de números absolutos é da Índia, com 258 mil casos por ano. A China vem em segundo lugar, com 120 mil. Na terceira posição estão os americanos, com 43 mil suicídios por ano, seguidos por Rússia, Japão, Coréia, Paquistão e Brasil.

Na liderança em termos proporcionais está a Guiana, com 44 casos para cada 100 mil pessoas. A Coreia do Norte vem em segundo lugar, com 38,5 casos. Siri Lanka, Coreia do Sul e Lituânia dividem a terceira colocação, com 28 casos para cada 100 mil pessoas. Locais associados com esse comportamento, como Suécia, Finlândia e Suíça registram taxas de 11,14 e 9 casos para cada cem mil pessoas.

O Brasil está distante desse grupo. Mas o País passou de uma taxa de 5,3 casos por 100 mil pessoas em 2000 para 5,8 em 2012.

 

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,uma-pessoa-se-suicida-no-mundo-a-cada-40-segundos-aponta-oms,1554426

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Entre as inverdades sobre o tema, está a ideia de que conversar sobre suicídio pode encorajar novos casos; veja lista

O suicídio mata mais de 800 mil pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Três em cada quatro casos são registrados em países emergentes e pobres, não nas capitais escandinavas, como a cultura popular insiste. O fenômeno tira a vida de uma pessoa a cada 40 segundos.

Para esclarecer o tema, uma campanha da OMS listou os mitos e verdades sobre o suicídio. De acordo com o texto, ideia de que apenas pessoas com distúrbios mentais podem cometer suicídio estão entre as inverdades sobre o assunto.

MITO: Pessoas que falam sobre suicídio não têm intenção de se suicidarem.

Fato: Pessoas que conversam sobre suicídio podem estar procurando ajuda ou suporte. Um número significativo de pessoas cogitando suicídio passam por ansiedade, depressão e falta de esperança e podem pensar que não existe outra opção.

MITO: A maioria dos suicídios acontecem repentinamente e sem aviso.

Fato: A maioria dos suicídios foram precedidos por avisos ou sinais, sejam verbais ou comportamentais. Há alguns casos em que suicídios acontecem sem qualquer aviso. Mas é importante entender o que são os sinais e procurar por eles.

MITO: Alguém com propensão ao suicídio está determinado a morrer.

Fato: Ao contrário, pessoas com propensão ao suicídio agem de forma ambivalente sobre continuar vivendo ou morrer. Alguém pode agir impulsivamente ao ingerir pesticidas, por exemplo, e morrer alguns dias depois, apesar de desejarem continuar vivendo. Acesso a suporte emocional no momento certo pode prevenir suicídios.

MITO: Alguém que deseja se matar, continuará desejando se matar em todos os momentos.

Fato:  Os maiores riscos de suicídio são a curto-prazo e em situações específicas. Pensamentos suicidas não são permanentes e um indivíduo que teve pensamentos suicidas anteriormente pode seguir vivendo por um longo tempo.

MITO: Somente pessoas com distúrbios mentais podem cometer suicídios.

Fato: Comportamento suicida indica profunda infelicidade, mas não necessariamente distúrbio mental. Muitas pessoas vivendo com problemas mentais não são afetadas por comportamento suicidas, e nem todas as pessoas que tiram a própria vida têm distúrbios mentais.

MITO: Conversar sobre suicídio é uma má ideia e pode ser interpretada como encorajadora.

Fato: Por causa do estigma sobre suicídio, a maioria das pessoas que estão cogitando tirar a própria vid,a não sabem com quem falar. Ao invés de encorajar, conversar abertamente pode dar outras opções ou o tempo para que a decisão seja repensada, e assim prevenir o suicídio.

 

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,campanha-da-oms-apresenta-verdades-e-mitos-sobre-o-suicidio,1554401

 

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Na ânsia de aplacar carências antigas, das quais em geral sequer sabemos claramente a origem, muitas vezes buscamos modelos que acreditamos ser capazes de nos proteger do sofrimento. O problema é que, não raro, essa busca nos afasta de quem realmente somos e costuma trazer ainda mais angústia

Há pouco, fazendo uma pesquisa rápida a respeito de dismorfia (medo da feiura), na tentativa de obter subsídios para a edição de um artigo sobre transtorno dismórfico corporal (TDC, na classificação psiquiátrica) para a próxima edição de Mente e Cérebro, deparei com um número surpreendente grande de pessoas que se empenham em se parecer com algum personagem da ficção. No Brasil, o mineiro de Araxá Celso Pereira Borges (mais conhecido nas mídias sociais por seu nome artístico, Celso Santebañes), de 20 anos, já fez quatro cirurgias plásticas para se tornar parecido com o boneco Ken, “namorado” da Barbie. Em Nova York, Justin Jedlica tem a mesma meta de Celso. Enquanto isso, a russa Lolita Richi e a ucraniana Valeria Lukyanov disputam o posto de mulher mais parecida com a própria Barbie. Já o estilista filipino Herbert Chavez passou por várias intervenções cirúrgicas para ficar parecido com Superman. Para atingir seu propósito, conseguiu até mesmo clarear o tom moreno de sua pele.

Mesmo sem a pretensão de sugerir diagnósticos para pessoas que não me pediram isso, parece impossível não associar esses comportamentos a uma espécie de variação do quadro de dismorfia, no qual a pessoa se torna patologicamente preocupada com uma característica física imaginada ou pouco perceptível de seu corpo, mas que ganha enorme destaque. A atenção excessiva voltada à própria aparência costuma ser associada ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC), à ansiedade e à depressão e, nos casos mais graves, ao risco de suicídio. Surpreendentemente, o problema é bastante comum. Estima-se que, em variados graus, atinja aproximadamente duas em cada dez pessoas. Penso nas pessoas que se empenham tanto (fazendo grande investimento libidinal, empregando tempo e dinheiro) para se transformar em seus modelos de beleza e perfeição – na verdade, bonecos, personagens.

Talvez até exista alguma beleza nas expressões forjadas, simétricas e pasteurizadas. Mas lhes falta algo fundamental: vida. É como se seus rostos estivessem congelados, escondidos sob camadas de impossibilidade de ser quem realmente são. E não falo aqui da busca por se tornar uma pessoa melhor. Há situações em que o determinadas atitudes calcadas no perfeccionismo podem até ser bastante positivas. Eu confesso: anseio escrever textos cada vez mais claros e interessantes que os anteriores, ouvir com mais precisão o que se esconde nas palavras ditas pelas pessoas que atendo em meu consultório e, de forma geral, ser mais tolerante comigo e com os outros. O problema surge quando o anseio de se superar se transforma em obsessão e o que temos (ou podemos construir subjetivamente) não basta, torna-se preciso buscar referenciais externos – e, em certos casos, transformar-se neles.

Por trás dos extremos há um apelo social e cultural que tantas vezes nos convoca a sermos sempre belos, cultos, jovens e felizes. E de novo o problema não é ter qualquer uma dessas características, até porque elas comportam um gama de nuances. O problema é ter de estar sempre alegre, satisfeito, sempre ser competente, sempre fazer comentários inteligentes. Sempre cansa tanto…

Outro dia, jogava conversa fora com uma amiga, também psicanalista, quando ela chamou minha atenção para o padrão estético predominante nas novelas brasileiras do início dos anos 90, atualmente reprisada na TV a cabo. Os penteados, especialmente das mulheres, eram menos impecáveis e uniformes; os dentes, não tão alinhados nem incrivelmente brancos; e os rostos, mesmo maquiados, podiam, eventualmente, revelar pequenas imperfeições, sem que isso fosse tomado como um problema grave. O resultado é que alguns atores e atrizes que ainda trabalham nessas produções parecem, mesmo anos depois, mais jovens, bonitos e “adequados” que no passado – quando, aliás, se pareciam mais com “gente de verdade”.

Parece haver uma determinação tácita e inquestionável: está proibido parecer que envelhecemos, assim como acontece com os bonecos… A glorificação da juventude é um reflexo da cultura do narcisismo e do culto de si, que a todo o momento rende homenagens à “superestimação da figura imaginária de um sujeito desprovido de sentido histórico, atemporal, sem passado nem futuro; um sujeito limitado ao claustro de sua imagem no espelho: vaivém entre narcisismo primário e narcisismo secundário”, escreve Elisabeth Roudinesco ao abordar novas formas de sofrimento psíquico em A análise e o arquivo (Zahar, 2001). Em meio a esse fenômeno, a figura mitológica de Narciso, angustiado e seduzido pela própria imagem, substitui Édipo, o soberano que se questiona, ferido e ressentido. Enquanto uma das faces de Narciso revela-se como ícone de uma humanidade sem interdição, fascinada pelo poder ilimitado, a outra é aquela que não aceita a velhice, a finitude ou mesmo o sucesso alheio, pois precisa ter tudo para si – o que resulta na insatisfação.

Nos dois casos o desfecho é trágico: Édipo perfura os olhos após ter cometido incesto, Narciso se suicida ao tomar consciência de que é seu próprio objeto de amor. Os dois castigos autoimpostos, no entanto, são bem diferentes. Édipo, segundo Freud o herói emblemático de uma cultura dominada pela decadência do patriarcado, sacrifica-se para que seu reino se perpetue. Já Narciso põe fim à própria existência, negando-se ao outro. “Enquanto a formação psíquica se traduz socialmente pelo culto do narcisismo, a obsessão por si mesmo é sempre portadora de uma rejeição do outro transformada em ódio de si e, portanto, em ódio pela presença do outro em si”, afirma Roudinesco. Faz sentido.

Eu, aqui, fico pensando que também gostaria de ser um pouco parecida psiquicamente com pessoas mais centradas e generosas que passaram por este planeta. Sinceridade? Alguma similaridade com Francisco de Assis ou príncipe Sidarta (o Buda) não me cairiam nada mal…

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/pensar-psi/mais-bonitos-mais-jovens-mais-interessantes-e-de-preferencia-para-sempre/

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492643909Evitar o primeiro gole é a base do AA (Alcoólicos Anônimos), irmandade que desde 1935 é referência para o tratamento do alcoolismo.

Mas, para o psiquiatra Lance Dodes, diretor da unidade de abuso de substâncias do Hospital McLean, centro ligado à Escola de Medicina de Harvard, o método dos 12 passos do AA está cheio de falhas – e a abstinência sem concessões é uma delas.

O médico acaba de lançar nos EUA o livro “The Sober Truth: Debuking the Bad Science Behind 12-Step Programs and the Rehab Industry” (algo como “A Verdade Sóbria: Desconstruindo a má ciência por trás do programa de 12 passos da indústria de reabilitação”; editura Beacon Press, US$ 14,55).

Nele, o psiquiatra diz que a reaída integra a recuperação e deve ser vista sem julgamentos. “O foco deveria ser a compreensão das emoções que levam ao primeiro gole”, afirmou à Folha. “No AA, se há a recaída, é o paciente que não seguiu o método”, diz. “A irmandade nunca falha”.

Dodes critica o tratamento do alcoolismo como uma doença. Para ele, a condição deve ser tratada como um sintoma de compulsão.

“Não faz sentido falar para um compulsivo por comida parar de comer. Sei que não precisamos de álcool para sobreviver, mas o que quero mostrar é que perseguir a abstinência a qualquer custo é oferecer uma má terapia.”

Dodes ataca ainda a falta de evidência científica do AA e o foco estrito no alcoolismo – sem considerar outras condições psiquiátricas.

O psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp, concorda que a recaída faz parte do processo. “O desafio está em diminuir a frequência”, afirma.

As críticas dos especialistas são rebatidas pelo AA. Seus membros se dizem guiados pela lógica espiritual, não a científica. “Se conseguirmos irar uma pessoa do alcoolismo, já cumprimos nosso papel”, explica Olney Fontes, clínico geral e diretor do AA no Brasil. “Sabemos por inúmeras experiências que o primeiro gole é o gatilho para a volta do vício.”

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O AA está em 150 países. No Brasil, são 5.000 unidades. Muitas clínicas usam os 12 passos omo complemento à terapia.

O consenso é que não há uma terapia única para tratar o alcoolismo. Nos anos 1990, o projeto Match, que recebeu US$ 27 milhões do governo americano, comprarou o AA, a terapia cognitivo comportamental e a terapia motivacional. O estudo não encontrou diferença de eficácia entre as técnicas.

Hoje, a tendência é individualizar a terapia usando os recursos disponíveis, incluindo remédios e até a tentativa, por um certo período, do uso moderado daquilo que é consumido compulsivamente.

“Se o caminho for o AA ou o uso controlado do álcool porque o paciente quer tentar, vamos trabalhar com essas ferramentas”, diz Analice Gigliotti, chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Cliff.

Mas não são todos os especialistas que acreditam em concessões. “Temos que usar todos os recursos, mas há estágios que não permitem o uso controlado, é muito arriscado”, diz Marcelo Parazzi, da clínica Grupo Viva.

“Trabalho com esses pacientes há décadas e nunca vi um deles conseguir fazer o uso controlado do álcool”, diz Arthur Guerra, psiquiatra da USP e do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/08/1502467-livro-critica-metodo-do-aa-e-questiona-abstinencia-no-tratamento-do-alcoolismo.shtml?fb_action_ids=10204399997857999&fb_action_types=og.recommends

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entrevistaEm 2012, 83% dos candidatos não receberam nenhum feedback.
Para 54%, retorno demonstra respeito a quem participou da entrevista.

Você se prepara, envia o currículo e tem a oportunidade de participar do processo seletivo da empresa. Mas, depois, não recebe nenhum e-mail ou telefonema com o resultado. Isso pode ser mais comum do que se imagina. Pesquisa realizada pelo site de empregos Curriculum mostra que 91% dos candidatos não recebem nenhuma resposta sobre a sua participação em uma entrevista de emprego.

Dentre os 9% que tiveram um feedback do selecionador, 31% relataram que o tempo médio para recebê-lo foi de até uma semana. Nesse grupo, mais de 70% responderam que não receberam explicações quando não foram aprovados no processo.

Questionados sobre o quão importante é ter uma resposta sobre uma seleção, 88% dos entrevistados disseram ser muito importante, 11% acharam importante e menos de 1% avaliaram como pouco importante.

A pesquisa levantou também os principais motivos que levam um profissional a desejar uma resposta sobre um processo seletivo. Para 54% dos entrevistados, o gesto demonstra respeito a quem participou da entrevista; 15% disseram que é ideal para não persistir no erro nas próximas vezes; outros 15% afirmaram que é para saber se têm chances numa futura oportunidade; 14% disseram que é para poder seguir em outras entrevistas de emprego; apenas 2% afirmaram que é para dar uma resposta a outro selecionador.

Segundo a Curriculum, mais de 9 mil profissionais participaram da pesquisa.

Resultados crescentes
Em 2012, a Curriculum realizou uma pesquisa com o mesmo tema. Os resultados mostraram que 83% dos candidatos não receberam nenhuma resposta dos selecionadores sobre o término do processo. Em comparação com 2014, houve um aumento de 8%.

Entre os profissionais que obtiveram um feedback naquela época (17%), a maioria disse que o tempo médio para retorno era de até uma semana, que se equipara ao resultado atual. No entanto, mais da metade (51%) disse que nunca recebeu nenhuma explicação sobre os motivos da não aprovação, um número relativamente menor que os 73% da recente pesquisa.

“Os resultados atuais se intensificaram e há um desequilíbrio entre a expectativa dos candidatos e a realidade do RH”, observa Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum.

Em geral, a pesquisa de 2012 já havia demonstrado a grande insatisfação dos candidatos pela falta de retorno do selecionador, uma vez que 98% deles afirmaram que gostariam de ter algum feedback para não persistir no erro nas próximas vezes, além de que compreendem que o gesto demonstraria consideração e respeito, os mesmos sentimentos verificados no levantamento atual.

Fonte: http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2014/05/pesquisa-aponta-que-91-nao-tem-retorno-em-processos-seletivos.html

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482285789Relacionamentos ou lares desfeitos, aumento do uso de drogas e dificuldades financeiras são alguns dos problemas que levam pessoas ao suicídio. No Brasil, essa é a terceira causa de morte entre jovens (atrás apenas de acidentes e violência), segundo a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Os transtornos psiquiátricos são o principal fator de risco para que alguém acabe com a própria vida. Segundo Meleiro, a depressão está em primeiro lugar (em 35% dos casos). Em segundo aparece a dependência de álcool e drogas e, em terceiro, a esquizofrenia. Por isso é muito importante combater o estigma que essas doenças possuem, ressalta a médica.

 “Os homens se suicidam mais, mas as mulheres tentam mais o suicídio”, comenta a psiquiatra em relação aos brasileiros. Mas ela diz que há exceções: na classe médica, por exemplo, são elas que mais se matam.

Entre os jovens, a taxa de suicídio multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4 a cada 100 mil pessoas no país. A tendência de aumento, aliás, é global. A psiquiatra diz que a gravidez indesejada na adolescência é um fator de risco importante nessa faixa etária.

Como os pais podem prevenir o suicídio de um filho? Segundo ela, o principal indício que deve ser valorizado é a mudança de comportamento. Irritação, desesperança, faltas no trabalho ou na escola também devem chamar atenção, assim como comentários de que a vida não vale a pena. Se alguém próximo se matou, o risco aumenta – se for o pai ou a mãe, a propensão é quatro vezes maior.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/03/20/suicidio-e-terceira-causa-de-morte-entre-jovens-diz-especialista.htm

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