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Na ânsia de aplacar carências antigas, das quais em geral sequer sabemos claramente a origem, muitas vezes buscamos modelos que acreditamos ser capazes de nos proteger do sofrimento. O problema é que, não raro, essa busca nos afasta de quem realmente somos e costuma trazer ainda mais angústia

Há pouco, fazendo uma pesquisa rápida a respeito de dismorfia (medo da feiura), na tentativa de obter subsídios para a edição de um artigo sobre transtorno dismórfico corporal (TDC, na classificação psiquiátrica) para a próxima edição de Mente e Cérebro, deparei com um número surpreendente grande de pessoas que se empenham em se parecer com algum personagem da ficção. No Brasil, o mineiro de Araxá Celso Pereira Borges (mais conhecido nas mídias sociais por seu nome artístico, Celso Santebañes), de 20 anos, já fez quatro cirurgias plásticas para se tornar parecido com o boneco Ken, “namorado” da Barbie. Em Nova York, Justin Jedlica tem a mesma meta de Celso. Enquanto isso, a russa Lolita Richi e a ucraniana Valeria Lukyanov disputam o posto de mulher mais parecida com a própria Barbie. Já o estilista filipino Herbert Chavez passou por várias intervenções cirúrgicas para ficar parecido com Superman. Para atingir seu propósito, conseguiu até mesmo clarear o tom moreno de sua pele.

Mesmo sem a pretensão de sugerir diagnósticos para pessoas que não me pediram isso, parece impossível não associar esses comportamentos a uma espécie de variação do quadro de dismorfia, no qual a pessoa se torna patologicamente preocupada com uma característica física imaginada ou pouco perceptível de seu corpo, mas que ganha enorme destaque. A atenção excessiva voltada à própria aparência costuma ser associada ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC), à ansiedade e à depressão e, nos casos mais graves, ao risco de suicídio. Surpreendentemente, o problema é bastante comum. Estima-se que, em variados graus, atinja aproximadamente duas em cada dez pessoas. Penso nas pessoas que se empenham tanto (fazendo grande investimento libidinal, empregando tempo e dinheiro) para se transformar em seus modelos de beleza e perfeição – na verdade, bonecos, personagens.

Talvez até exista alguma beleza nas expressões forjadas, simétricas e pasteurizadas. Mas lhes falta algo fundamental: vida. É como se seus rostos estivessem congelados, escondidos sob camadas de impossibilidade de ser quem realmente são. E não falo aqui da busca por se tornar uma pessoa melhor. Há situações em que o determinadas atitudes calcadas no perfeccionismo podem até ser bastante positivas. Eu confesso: anseio escrever textos cada vez mais claros e interessantes que os anteriores, ouvir com mais precisão o que se esconde nas palavras ditas pelas pessoas que atendo em meu consultório e, de forma geral, ser mais tolerante comigo e com os outros. O problema surge quando o anseio de se superar se transforma em obsessão e o que temos (ou podemos construir subjetivamente) não basta, torna-se preciso buscar referenciais externos – e, em certos casos, transformar-se neles.

Por trás dos extremos há um apelo social e cultural que tantas vezes nos convoca a sermos sempre belos, cultos, jovens e felizes. E de novo o problema não é ter qualquer uma dessas características, até porque elas comportam um gama de nuances. O problema é ter de estar sempre alegre, satisfeito, sempre ser competente, sempre fazer comentários inteligentes. Sempre cansa tanto…

Outro dia, jogava conversa fora com uma amiga, também psicanalista, quando ela chamou minha atenção para o padrão estético predominante nas novelas brasileiras do início dos anos 90, atualmente reprisada na TV a cabo. Os penteados, especialmente das mulheres, eram menos impecáveis e uniformes; os dentes, não tão alinhados nem incrivelmente brancos; e os rostos, mesmo maquiados, podiam, eventualmente, revelar pequenas imperfeições, sem que isso fosse tomado como um problema grave. O resultado é que alguns atores e atrizes que ainda trabalham nessas produções parecem, mesmo anos depois, mais jovens, bonitos e “adequados” que no passado – quando, aliás, se pareciam mais com “gente de verdade”.

Parece haver uma determinação tácita e inquestionável: está proibido parecer que envelhecemos, assim como acontece com os bonecos… A glorificação da juventude é um reflexo da cultura do narcisismo e do culto de si, que a todo o momento rende homenagens à “superestimação da figura imaginária de um sujeito desprovido de sentido histórico, atemporal, sem passado nem futuro; um sujeito limitado ao claustro de sua imagem no espelho: vaivém entre narcisismo primário e narcisismo secundário”, escreve Elisabeth Roudinesco ao abordar novas formas de sofrimento psíquico em A análise e o arquivo (Zahar, 2001). Em meio a esse fenômeno, a figura mitológica de Narciso, angustiado e seduzido pela própria imagem, substitui Édipo, o soberano que se questiona, ferido e ressentido. Enquanto uma das faces de Narciso revela-se como ícone de uma humanidade sem interdição, fascinada pelo poder ilimitado, a outra é aquela que não aceita a velhice, a finitude ou mesmo o sucesso alheio, pois precisa ter tudo para si – o que resulta na insatisfação.

Nos dois casos o desfecho é trágico: Édipo perfura os olhos após ter cometido incesto, Narciso se suicida ao tomar consciência de que é seu próprio objeto de amor. Os dois castigos autoimpostos, no entanto, são bem diferentes. Édipo, segundo Freud o herói emblemático de uma cultura dominada pela decadência do patriarcado, sacrifica-se para que seu reino se perpetue. Já Narciso põe fim à própria existência, negando-se ao outro. “Enquanto a formação psíquica se traduz socialmente pelo culto do narcisismo, a obsessão por si mesmo é sempre portadora de uma rejeição do outro transformada em ódio de si e, portanto, em ódio pela presença do outro em si”, afirma Roudinesco. Faz sentido.

Eu, aqui, fico pensando que também gostaria de ser um pouco parecida psiquicamente com pessoas mais centradas e generosas que passaram por este planeta. Sinceridade? Alguma similaridade com Francisco de Assis ou príncipe Sidarta (o Buda) não me cairiam nada mal…

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/pensar-psi/mais-bonitos-mais-jovens-mais-interessantes-e-de-preferencia-para-sempre/

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121979171A Vigorexia é um distúrbio caracterizado pelo excesso de atividade física decorrente de uma autoimagem distorcida, caracterizando-o como um subtipo do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).

Assim como a Anorexia Nervosa, a Vigorexia também se caracteriza por uma imagem distorcida do próprio corpo, ou seja, são transtornos semelhantes em suas características principais. O anoréxico, apesar de magro em demasia, continua se enxergando obeso enquanto que o vigoréxico, mesmo cheio de músculos, continua olhando no espelho e se vendo muito magro e franzino. Ambos, efeitos da baixa autoestima e da desvalorização de si mesmo.

Esta autoimagem distorcida, faz com que o portador de Vigorexia vá em busca do corpo perfeito, partindo então para uma busca pelo corpo ideal, aquele que é valorizado pela sociedade contemporânea, levando-o a prática desenfreada de atividades físicas.

Com isso, a rotina do portador deste distúrbio começa a se deteriorar e se voltar totalmente para essa busca, sua alimentação se torna restrita a proteínas, consumo de suplementos alimentares sem seguir a orientação de um especialista e partindo também para o uso de esteroides e anabolizantes, ficando então horas e mais horas na academia e sempre aumentando as cargas dos exercícios.

A Síndrome de Adônis como também pode ser chamada ou Overtraining representa a busca por um ideal físico inatingível não por condições físicas, mas, porque existe a autoimagem distorcida e com isso, a pessoa acaba desenvolvendo um quadro de depressão e também, transtornos de ansiedade.

154769278Podemos então observar os seguintes sintomas:

– Ritmo cardíaco acelerado mesmo em repouso;

– Maior susceptibilidade a infecções;

– Maior incidência de lesões;

– Fadiga persistente;

– Dores musculares persistentes;

– Queda no desempenho sexual;

– Maior irritabilidade;

– Depressão;

– Ansiedade;

– Desinteresse por atividades que não tenham ligação com a atividade física;

– Perda de apetite.

Como consequência dessa busca e do foco praticamente integral aos exercícios, a pessoa se afasta dos amigos, parentes e colegas de trabalho, ela passa a não se interessar por qualquer pessoa ou situação que possa interferir em seu objetivo, isolando-se socialmente.

O tratamento é feito através de psicoterapia para o reconhecimento real do corpo trabalhando a autoestima e a percepção real de si mesmo, identificando o comportamento distorcido e recuperando a autoconfiança; também precisa do acompanhamento médico e o tratamento medicamentoso para controle da depressão e ansiedade, como sintomas obsessivo-compulsivos; assim como de um nutricionista e um educador físico, pois os treinos não precisam ser abandonados, mas sim, acompanhados por especialistas da área.

Podemos também deixar claro alguns comportamentos observados em portadores da vigorexia que frequentemente demonstram sentimento de inferioridade e insatisfação com a aparência, mesmo sendo elogiado pela sua forma física, acarretando muita vergonha, fazendo com que esconda seu corpo com roupas muito largas e acaba se isolando socialmente, trocando qualquer oportunidade social por exercícios físicos.

Fonte: https://sites.google.com/site/psicoclinicas/home/transtorno-dismorfico-corporal/vigorexia

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O Transtorno Dismórfico Corporal ou também conhecida como Dismorfofobia é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito mínimo ou inexistente na aparência física.

98966727A síndrome é caracterizada por uma obsessão a beleza física perfeita que se converte em autênticas doenças emocionais, acompanhadas de muita ansiedade, depressão, fobias e atitudes obsessivas e compulsivas.

Sua causa é bastante discutível e os sintomas podem se confundir com uma  vaidade em excesso como o uso exagerado de cosméticos para disfarçar imperfeições, cuidados exagerados com o cabelo, dietas inconsequentes, em alguns casos desenvolvendo outros distúrbios como a bulimia, anorexia e vigorexia. Segundo relatos de pacientes, a insatisfação com o próprio corpo acaba gerando um profundo sentimento de vergonha ao ser observado por si mesmo ou por outras pessoas, pois, se julga muito feio ou deformado.

A baixa autoestima pode ser uma das causas, assim como uma infância deficiente de atenção e cuidados, a carência de aprovação podem também levar a uma autocrítica destrutiva, sentimentos de abandono e até mesmo causas orgânicas que são agravadas pela exibição em massa de ideais físicos padronizados pelo imaginário humano e pela mídia.

Atualmente, a forma mais frequente de dismorfofobia é a relação do indivíduo com o peso corporal, pessoas com peso adequado a sua altura e faixa etária consideram-se acima do peso, submetendo-se a regimes de fome, uso de medicamentos, vômitos forçados ou exercícios físicos em excesso. Porém, outras formas também são encontradas em forma de valorização excessiva de cicatrizes e marcas mínimas com a sensação de que está deformada e que a lesão é vista por todos e que atrapalha a sua vida evitando sair de casa ou abusando de correções. Porém, a maioria dos casos de TDC focaliza a face, geralmente creditam foco principal ao nariz, boca, olhos e cabelos. Em homens, há também a incidência de TDC relacionado ao tamanho do pênis.

Outro comportamento consequente ao distúrbio é a procura inconsequente por tratamentos estéticos como cirurgias plásticas e tratamentos de rejuvenescimento, assim como atitudes estranhas como evitar situações naturais para prevenir um suposto envelhecimento precoce ou fraturas que dificilmente acontecerão naquela situação.

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Os portadores de TDC também sofrem consequências emocionais, com essa insatisfação e a baixa autoestima, acabam desenvolvendo outros transtornos como a depressão, transtornos de ansiedade, além de isolamento social o que é, na maioria das vezes, confundido com timidez.

Nesta patologia, a opinião do paciente a respeito de sua própria aparência é totalmente diferente da opinião geral do meio em que vive. O paciente não enxerga, não percebe que ele é absolutamente normal e insiste em sua ideação de inadequação física.

Embora muitas pessoas apresentem uma maior ou menor preocupação com sua aparência, o diagnóstico de Dismorfia é detectado quando há um sofrimento significativo e uma obsessão com alguma parte do corpo que o impeça de viver normalmente.

O tratamento é difícil por consequência desta característica de não aceitar ser portador deste diagnóstico e creditar suas dificuldades e ideações a vaidade, classificando o cuidado com o corpo como algo saudável e positivo. Porém, este distúrbio significa exatamente o contrário, pois é um sofrimento constante em busca de um ideal físico que não existe e nunca irá perceber como realmente é o seu corpo.

A psicoterapia é o tratamento certo e em muitos casos, um acompanhamento medicamentoso se faz necessário para o suporte das emoções e dos sentimentos depressivos que acompanham o quadro.

Resumindo, o TDC é um transtorno que se caracteriza por uma excessiva preocupação com um defeito físico real ou imaginário que, associado ao comportamento de verificar várias vezes o problema, acabam gerando uma grande ansiedade e angústia e fazem a pessoa evitar situações e atitudes em que se sentirá exposto, assim como a necessidade urgente de corrigir o “defeito”.

Fonte: https://sites.google.com/site/psicoclinicas/home/transtorno-dismorfico-corporal

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