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155380431A declaração recente de uma celebridade do esporte, uma peça em cartaz e novas pesquisas científicas trazem de volta à cena o lado mais pop do TOC, o transtorno obsessivo-compulsivo.

O famoso da vez a assumir publicamente que tem o transtorno é o ginasta Diego Hypólito, 26. No mundo das artes, peças como “Toc Toc”, em cartaz em São Paulo, e personagens como Sheldon Cooper, da série “Big Band Theory”, fazem que o nome e os sintomas da doença estejam na boca do povo.

A popularidade é impulsionada porque quase todas as pessoas se acham um pouco portadoras do transtorno. E quem não tem uma tia, um amigo ou um parceiro com alguma maniazinha excessiva de limpeza ou de arrumação?

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“Pensamentos indesejados e rituais todo mundo tem. A pessoa pode até achar estranho, mas para por aí. A questão é como eles

 interferem no cotidiano e quanto sofrimento trazem”, diz a psiquiatra Roseli Shavitt, coordenadora do Protoc (Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo), do Instituto de Psiquiatria da USP.

Diego Hypólito conta que tinha os sintomas desde o início da adolescência, mas só aos 18 anos se deu conta de que os rituais o atrapalhavam.

“Às vezes as pessoas nem notavam, mas desde a hora em que eu acordava era um monte de coisa que eu tinha de fazer. Começou a me incomodar”, diz o atleta.
Ao perceber isso, Hypólito foi tratar o problema em terapia. Mas a maioria das pessoas demora mais para procurar ajuda.

“Há um caso de paciente que demorou mais de 40 anos para procurar tratamento. E é comum as pessoas passarem dez anos sofrendo sem procurar ajuda”, afirma a psiquiatra Christina Hajaj Gonzales, do Centro de Assistência, Ensino e Pesquisa do Espectro Obsessivo-Compulsivo da Unifesp.

E isso mesmo com toda a exposição dos sintomas da doenças no cinema e na TV.

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“O transtorno pode ter caído nas graças da indústria de entretenimento, ficou mais fácil as pessoas aceitarem. Aí vira pop, fica até chique dizer ‘eu tenho TOC’. Isso pode ajudar a diminuir o preconceito, mas não dá para banalizar, achar que não é sério”, diz Antonio Geraldo da Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Visto nas telas e nos palcos, dá até para rir do problema –os próprios pacientes consideram muitos de seus hábitos ridículos ou bizarros–, mas na vida real não é tão engraçado assim.
Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Unesp mostrou que 33% das pessoas com TOC já pensaram em suicídio e 11% já tinham tentado se matar de fato.

“As pessoas não levam a sério porque não imaginam o grau de incapacitação e a dor que a doença pode causar”, diz a psiquiatra Albina Rodrigues Torres, da Unesp.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/04/1266817-transtorno-obsessivo-compulsivo-e-pop-mas-faz-da-vida-um-inferno.shtml

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Todos nós em algum momento do dia ou da semana, sentimos que somos portador deste transtorno; afinal de contas, quem é que não tem uma mania de alguma coisa, quem não conhece alguém que tem certa mania de limpeza, de organização, de rotina, etc.

A grande diferença é que, todo mundo tem pensamentos indesejados e rituais, a pessoa pode até achar estranho, e este é o grande incômodo, porém, o portador do Transtorno Obsessivo Compulsivo tem seu cotidiano todo inundado por estes pensamentos e comportamentos indesejados, o que acaba interferindo na realização de atividades diárias e corriqueiras, causando grande angústia e desconforto.

O resultado disso, é que o portador de TOC se torna prisioneiro de um padrão de pensamentos e comportamentos repetitivos que para nós, pode não ter sentido algum, mas, para a pessoa, tem uma lógica dentro de sua forma de pensar.

O que é o TOC?

O TOC é um transtorno psiquiátrico de ansiedade cuja principal característica é a presença de crises frequentes de pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos. Os pensamentos obsessivos são caracterizados por ideias e imagens que invadem a nossa mente e ficam em uma repetição incessante, e a única forma que a pessoa sente que consegue se livrar dela, mesmo que temporariamente, é através do comportamento compulsivo.

O comportamento compulsivo, por sua vez, é o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas pré-estabelecidas, que acabam proporcionando uma sensação de alívio da ansiedade, pois, o portador de TOC acha que se não agirem daquela forma, algo terrível pode acontecer. Porém, o que realmente acontece é que a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a aumentar conforme são realizados os rituais, podendo se transformar em um obstáculo para a vida da pessoa portadora da síndrome, assim como sua família.

Uma informação interessante, é que o pensamento obsessivo e o comportamento compulsivo são muito particulares de cada pessoa, de acordo com cada histórico de vida, porém, podemos identificar alguns rituais mais comuns que são os desenvolvidos com limpeza, checagem de algo, conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, etc. Variando e somando-se conforme a evolução do quadro.

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Classificação

– Transtorno obsessivo-compulsivo subclínico: as obsessões e rituais se repetem com frequência, porém, não atrapalham a vida e o cotidiano da pessoa;

– Transtorno obsessivo-compulsivo propriamente dito: as obsessões persistem até o exercício da compulsão que alivia a ansiedade.

Causas

O TOC não tem uma causa específica, porém, estudos tem sugerido a existência de alterações na comunicação entre determinadas regiões cerebrais que utilizam a serotonina, assim como os aspectos psicológicos e o histórico tanto de vida quanto familiar também estão entre as causas desta síndrome.

Sintomas

Todos nós, em algum momento da vida ou do dia, podemos manifestar rituais que não tem relação alguma com o TOC; por isso os sintomas principais deste distúrbio é a presença de pensamentos obsessivos que levam necessariamente a um ritual compulsivo para diminuir e combater a ansiedade que esta pessoa sente.

Alguns comportamentos podem ser selecionados como os mais comuns, como excesso de preocupação com higiene, limpeza, dificuldade de pronunciar certas palavras ou indecisão em situações corriqueiras, por medo de consequências ruins desencadeando uma desgraça. Tal desgraça é formada por pensamentos agressivos relacionados à morte, acidentes ou doenças.

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Diagnóstico

O diagnóstico ocorre, com certeza, após alguns anos após a manifestação dos primeiros sintomas.  Por isso, mesmo que o TOC possa se manifestar na infância (a partir dos 3 ou 4 anos de idade), na maioria dos casos se tem o diagnóstico e o início do tratamento na vida adulta.

Em crianças, a incidência é maior em meninos e já na adolescência, a proporção é semelhante entre ambos os gêneros.

Tratamento

O ideal é o tratamento medicamentoso em conjunto com a psicoterapia cognitivo-comportamental. O tratamento medicamentoso se utilizará de antidepressivos inibidores da receptação da serotonina, enquanto a psicoterapia terá como base de trabalho a exposição da pessoa à situação geradora de ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos, chegando aos mais angustiantes, gradativamente.

A família é importante esclarecer sobre as características e todos os efeitos ocasionados pelo distúrbio, facilitando assim a compreensão, o convívio e o tratamento.

Saiba mais

Os portadores deste transtorno, geralmente tem considerável consciência de que existe algo em sua forma de pensar e em seu comportamento que não corresponde ao que observa em outras pessoas, sabem que seus pensamentos muitas vezes não tem sentido ou são exagerados, assim como seus comportamentos em muitos momentos, não eram realmente necessários.

É muito comum que suas reações às mais diversas situações também tomem uma proporção muito maior do que realmente poderiam ser.

Em grande parte dos casos, o portador se esforça muito para se livrar de pensamentos e evitar comportamentos, controlando seus sintomas obsessivos e compulsivos no ambiente profissional, social ou de estudo, porém, com o passar do tempo e do crescimento e mudanças da vida, a resistência começa a enfraquecer e o TOC torna-se grave a ponto de dificultar demais e até mesmo impossibilitar a realização de atividades cotidianas.

Na maioria das vezes, o portador do TOC só recebe o diagnóstico, em geral, 8 a 9 anos após o surgimento dos primeiros sintomas; e por ser um distúrbio difícil de ser aceito pela própria pessoa, a procura por tratamento acaba sendo adiada para muitos anos após o diagnóstico. A consequência disso é que com o passar do tempo e o agravamento dos sintomas, os sentimentos que muitos acabam desenvolvendo são sensações de incapacidade, de impossibilidade, de falta de inteligência e falta de habilidade para o enfrentamento das experiências da vida, o que resulta em uma baixa autoestima, depressão e alguns casos, existe a dificuldade de concentração.

Fonte: https://sites.google.com/site/psicoclinicas/home/toc

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