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Quem enfrenta o suicídio de um parente ou amigo vai “sobreviver em luto”. O impacto da perda é reconhecidamente tão grande que profissionais encarregados de prestar apoio psicológico chamam essas vítimas de “sobreviventes enlutados”. E para se manter de pé e superar o sentimento de culpa, cada um deles busca seu próprio caminho e alguns apostam no apoio mútuo, como no caso de Roberto Maia, de 55 anos.

Quando soube que sua filha Jéssica Heloísa decidiu tirar a própria vida aos 14 anos, Maia ficou sem reação. “Não ri, não chorei, não falei. Fiquei catatônico e minha mulher [segunda esposa de Maia] foi quem pegou o telefone. Parecia que eu tinha saído do meu corpo”, relembra ele sobre sua reação ao fato, ocorrido há 10 anos.

Maia passou anos tentando lidar com a dor, até que encontrou no voluntariado uma forma de aliviar o que sentia. “Todo mundo busca a felicidade, mas ninguém ensina a gente sobre a morte”, conta.

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Maia concluiu na terça (24) o curso de voluntariado do Centro de Valorização à Vida (CVV), no Recife (PE), uma entidade que oferece apoio gratuito de prevenção ao suicídio via telefone, e-mail, chats ou pessoalmente.

“Decidi ser voluntário para ouvir outras pessoas que estariam dispostas a cometer suicídio.” – Roberto Maia

“A gente faz meses de treinamento para que possa acolher a outra pessoa. Há muita gente com depressão e solidão, apesar de estar todo mundo conectado. Nosso trabalho é de acolhimento e escuta”, diz.

“A gente precisa tirar uma lição daquilo [o suicídio] e tentar, no que a gente pode, prevenir para que outras pessoas não passem por isso.”

Blog sobre prevenção

A vontade de ajudar outras pessoas após perder a filha de 19 anos também motivou Terezinha do Carmo Guedes Máximo, de 45 anos, a criar um grupo de apoio em São Bernardo do Campo (SP) para enlutados do suicídio. Além do grupo, Terezinha mantém um blog com informações sobre prevenção e sobre a posvenção, termo usado para se referir aos cuidados com as pessoas próximas que vivenciam o luto após um suicídio.

“As pessoas julgam. Dizem que a mãe não cuidou, não deu amor, não percebeu. (…) A Marina deu sinais, mas eu não sabia que aquilo era sinal, só fui saber depois, porque não tinha a informação” – Terezinha do Carmo

Onilton Pires Moreira, de 45 anos, ainda tenta encontrar as respostas para superar a morte do filho Higor, de 15 anos, que aconteceu em fevereiro deste ano, em Goiânia (GO).

“Ainda não aceitei o afastamento do meu filho e existe uma ferida muito grande”, afirma ele.

“Foi a situação mais inesperada da vida. A pior das missões que um ser humano tem na Terra é a perda de um filho. O Higor, para mim, era minha vida.”

Sensação de culpa

Falar sobre a morte do filho Matheus e trocar experiências com outros pais é o que também dá forças à professora aposentada Rosangela de Fátima Leite Marcondes, de 53 anos, para conviver com o luto. Moradora de Guararema (SP), atualmente ela participa de um grupo de apoio entre pais. Ainda hoje se lembra dos muitos momentos em que se sentia culpada pela morte do filho de 16 anos.

Após a morte de Matheus, toda a família passou por tratamento psicológico e psiquiátrico. “Tomo remédio para conseguir fazer as coisas do dia a dia”, diz Rosangela.

“É um trauma muito difícil de superar. No começo eu me culpava, me perguntava ‘por que não insisti mais em conversar com ele?’ ou ‘Por que não fiquei mais com ele enquanto ele estava triste? Mas depois a gente percebe que, no fim das contas, essa é uma decisão muito pessoal. Então a minha forma de conviver com isso é ser amparada por outras mães que perderam seus filhos e ampará-las também”.

Sinais não são claros

Maia, Terezinha, Rosângela e Moreira contam que buscaram sinais que pudessem tê-los alertado sobre o estado dos filhos, mas nem sempre eles são claros.

Higor, por exemplo, começou a se afastar do convívio familiar e a passar mais tempo online, conta Moreira, que, em respeito à privacidade do jovem, permitiu o isolamento. Ele diz que sempre quis dar a melhor educação para o filho, como acesso a tecnologia e jogos em rede.

Segundo o pai, o jovem – descrito como sorridente, alegre e carismático – nunca deu sinais de que havia algum problema. A polícia investiga se grupos de incentivo ao suicídio no WhatsApp influenciaram a decisão de Higor.

Para a família de Matheus, pensamentos suicidas nunca foram compartilhados com a família, mas o jovem pediu para ir a um psicólogo depois de um rompimento de namoro. Depois, porém, acabou desistindo da ajuda.

“Eu marquei a primeira vez, mas ele teve um dia ótimo com os amigos de infância em casa e decidimos prorrogar a consulta. Na semana seguinte fomos ao psicólogo, mas ele não quis se consultar, na outra ele se matou. Foi tudo muito rápido, eu não tive tempo de entender o que estava se passando e quão profundo era aquilo tudo para ele”, conta a mãe de Matheus, Rosângela de Fátima.

Acompanhamento de perto

No caso de Marina, a jovem apresentou mudanças de humor desde os 16 anos. A princípio, a irritabilidade foi associada pela mãe à Tensão Pré-Menstrual. Outros sinais, como a insatisfação com o próprio corpo, foram atribuídos à adolescência.

“A gente fica com a impressão de que depressão é ficar deitado na cama. Ela fazia tudo o que sempre fazia, mas mudou o humor. Ficou agressiva, chata, e a gente achava que era coisa da adolescência. Tudo isso contribuiu para o final”, disse Terezinha.

Quando a jovem passou a ter crises, foi levada a psiquiatras. Mas quando começou a se cortar, os pais a levavam ao Pronto-socorro. Em um desses dias, ela foi atendida por uma desmatologista que prescreveu um remédio manipulado, misturando relaxante muscular e um antidepressivo. “Dois dias depois ela foi internada no hospital psiquiátrico, o médico suspender o medicamento” na mesma hora, conta a mãe.

O último psiquiatra que atendeu a adolescente afirmou que suspeitava que ela tinha a Síndrome de Borderline, um transtorno de personalidade com mudanças súbitas de humor. Mas não houve tempo de chegar a um diagnóstico definitivo.

Enquanto isso, ela fazia acompanhamento com dois psicólogos, tomava antidepressivos controlados, que a mãe administrava e deixava fora do acesso da filha. Após as sessões de terapia, ela chegava em casa melhor, comia melhor, dormia melhor. E também dava sinais de que pensava no próprio futuro. Estava estudando francês por conta própria, falava sobre planos para o carnaval que se aproximava e, dias antes de se matar, participou de um processo seletivo para um estágio.

Para a mãe, a filha sofria de depressão, mas dava indícios de que estava em um processo ascendente: a melhora parecia “questão de tempo”. Por isso ela se surpreendeu ao descobrir que a filha tinha usado a única hora em que conseguiu ficar a sós para levar acabo o plano de tirar a própria vida.

“Se hoje tivesse a chance de voltar no tempo, cuidar da Marina de novo, o que mudaria? Eu prestaria mais atenção. Acharia que o que aconteceu com ela não era da idade. (…) Eu não quero que uma mãe passe pelo que eu estou passando, é nesse intuito que eu falo. Como uma forma de cura.”

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/sobreviventes-enlutados-familiares-de-pessoas-que-tiraram-a-propria-vida-contam-como-lidam-com-a-dor.ghtml

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A tristeza, a frustração, a dor e o medo não afetam somente quem sofre de depressão. Saiba como entender e lidar com esses momentos difíceis vividos por uma pessoa querida.

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“A alegria acaba, o sorriso vai embora. Tudo se torna uma desgraça. É um tormento sem fim. Como se tivesse uma nuvem escura em cima de você e você não conseguisse escapar”, relata Samuel*, ao recordar o período de depressão pelo qual sua esposa passou.

O transtorno veio após um grave acidente de carro. Ela ficou hospitalizada e, após um longo período de convalescência, não pôde mais retornar ao trabalho devido aos ferimentos sofridos.

“Você acha que a pessoa está ficando louca. É muito difícil, especialmente no começo, quando você não sabe o que está acontecendo”, afirma Samuel à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Quando alguém recebe um diagnóstico de depressão, compreensivelmente todas as atenções se voltam para essa pessoa.

No entanto, os familiares e amigos que convivem e tomam conta dela também passam por momentos muito difíceis. Segundo psicólogos, também correm risco de desenvolver um quadro depressivo e precisam se cuidar.

Em meio a todos os problemas causados pela depressão, a vida continua. As contas de casa continuam chegando, é preciso cozinhar, trabalhar e tomar conta dos outros membros da família, especialmente quando há crianças.

Samuel conta que todas as manhãs precisava levar seus filhos, de 4 e 5 anos de idade, à escola antes de ir ao trabalho.

“Não havia opção, tinha que continuar trabalhando e tentando proporcionar aos nossos filhos um pouco de rotina e normalidade. Quando a gente voltava, ao final da tarde, eu descia do carro antes e dizia às crianças para esperarem até eu voltar para buscá-los”, relata.

“Eu abria a porta de casa e dava uma olhada para ver como estavam as coisas. Tinha medo de encontrar minha esposa enforcada. Então tinha que me assegurar de que meus filhos não iriam presenciar algo tão traumático.”

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Sentimentos intensos
Aqueles que passam por situação semelhante contam que é muito difícil administrar a intensidade dos sentimentos.

“Todos os dias a minha esposa dizia que queria morrer. Eu ficava aterrorizado. Você se sente cansado, frustrado, angustiado, triste. Não tem força, não vê como vai sair do buraco”, diz ele.

Rebeca*, mãe de um adolescente de 14 anos de idade, também passou por situação semelhante. Sua voz fica embargada ao descrever um dos piores momentos da crise que enfrentou.

“Mamãe, me deixe morrer, me deixe morrer”, dizia o menino em uma das três ocasiões em que tentou tirar sua própria vida.

“Você sente pavor, dor, medo. É uma situação extremamente estressante. Você vê o seu filho sofrendo e não sabe como agir, o que fazer. Sentia que o meu coração e a minha vida estavam sem um pedaço”, conta Rebeca.

TIPOS DE DEPRESSÃO

Moderadamente severa
O efeito no dia a dia não é tão agudo. A depressão desse tipo pode causar dificuldades de concentração no trabalho e afetar a motivação em fazer atividades que normalmente seriam prazerosas.

Grave
Afeta o dia a dia do indivíduo. Coisas básicas como comer, tomar banho e dormir se tornam difíceis. A internação em um hospital pode ser necessária.

Desordem bipolar
As pessoas que sofrem dessa condição apresentam variações extremas de humor. Elas podem se sentir eufóricas e indestrutíveis e, em seguida, serem acometidas por desespero, letargia e pensamentos suicidas.

Depressão pós-natal
Afeta algumas mães após o parto. Ansiedade, fadiga, falta de confiança e sentimento de incapacidade de cuidar do bebê são alguns dos sintomas apresentados por quem sofre desse tipo de depressão.

Fonte: Mental Health Foundation

Quem cuida de um indivíduo com depressão deve encontrar tempo para cuidar de si mesmo.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/11/tinha-medo-de-encontrar-minha-esposa-enforcada-como-e-viver-com-alguem-que-sofre-de-depressao.html

 

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Brasil é o oitavo país do mundo com maior número de casos, mais de 11,8 mil em 2012; taxa, no entanto, é inferior à média mundial.

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GENEBRA – o suicídio se tornou uma epidemia de proporções globais, mata mais de 800 mil pessoas por ano e 75% dos casos são registrados em países emergentes e pobres, não nas capitais escandinavas, como a cultura popular insiste. Nesta quinta-feira, 4, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publica, pela primeira vez em mais de 50 anos de história, um levantamento global sobre o fenômeno que tira a vida de uma pessoa a cada 40 segundos.

O estigma faz só um pequeno número de países coletar dados sobre o fenômeno. Dos 194 países da OMS, apenas 60 mantêm informações sobre o assunto.

Diante dessa realidade, a Organização Mundial de Saúde vai lancar-se em campanha para ajudar governos a desenhar programas de prevenção e reduzir a taxa em 10% até 2020. Hoje apenas 28 países pelo mundo têm estratégias nacionais de prevenção. “Para cada suicídio cometido, muitos outros tentam a cada ano”, alerta a OMS.

Brasil –  Em termos absolutos, o Brasil é o oitavo país do mundo com maior número de casos de suicídio, mais de 11,8 mil em 2012. Mas, em proporção ao tamanho da população, a taxa é inferior à média mundial. O que preocupa os especialistas é que esse comportamento tem atingido número cada vez maior de pessoas. Em apenas dez anos, o número de suicídios aumentou no País em mais de 10%.

A liderança em termos de números absolutos é da Índia, com 258 mil casos por ano. A China vem em segundo lugar, com 120 mil. Na terceira posição estão os americanos, com 43 mil suicídios por ano, seguidos por Rússia, Japão, Coréia, Paquistão e Brasil.

Na liderança em termos proporcionais está a Guiana, com 44 casos para cada 100 mil pessoas. A Coreia do Norte vem em segundo lugar, com 38,5 casos. Siri Lanka, Coreia do Sul e Lituânia dividem a terceira colocação, com 28 casos para cada 100 mil pessoas. Locais associados com esse comportamento, como Suécia, Finlândia e Suíça registram taxas de 11,14 e 9 casos para cada cem mil pessoas.

O Brasil está distante desse grupo. Mas o País passou de uma taxa de 5,3 casos por 100 mil pessoas em 2000 para 5,8 em 2012.

 

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,uma-pessoa-se-suicida-no-mundo-a-cada-40-segundos-aponta-oms,1554426

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Entre as inverdades sobre o tema, está a ideia de que conversar sobre suicídio pode encorajar novos casos; veja lista

O suicídio mata mais de 800 mil pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Três em cada quatro casos são registrados em países emergentes e pobres, não nas capitais escandinavas, como a cultura popular insiste. O fenômeno tira a vida de uma pessoa a cada 40 segundos.

Para esclarecer o tema, uma campanha da OMS listou os mitos e verdades sobre o suicídio. De acordo com o texto, ideia de que apenas pessoas com distúrbios mentais podem cometer suicídio estão entre as inverdades sobre o assunto.

MITO: Pessoas que falam sobre suicídio não têm intenção de se suicidarem.

Fato: Pessoas que conversam sobre suicídio podem estar procurando ajuda ou suporte. Um número significativo de pessoas cogitando suicídio passam por ansiedade, depressão e falta de esperança e podem pensar que não existe outra opção.

MITO: A maioria dos suicídios acontecem repentinamente e sem aviso.

Fato: A maioria dos suicídios foram precedidos por avisos ou sinais, sejam verbais ou comportamentais. Há alguns casos em que suicídios acontecem sem qualquer aviso. Mas é importante entender o que são os sinais e procurar por eles.

MITO: Alguém com propensão ao suicídio está determinado a morrer.

Fato: Ao contrário, pessoas com propensão ao suicídio agem de forma ambivalente sobre continuar vivendo ou morrer. Alguém pode agir impulsivamente ao ingerir pesticidas, por exemplo, e morrer alguns dias depois, apesar de desejarem continuar vivendo. Acesso a suporte emocional no momento certo pode prevenir suicídios.

MITO: Alguém que deseja se matar, continuará desejando se matar em todos os momentos.

Fato:  Os maiores riscos de suicídio são a curto-prazo e em situações específicas. Pensamentos suicidas não são permanentes e um indivíduo que teve pensamentos suicidas anteriormente pode seguir vivendo por um longo tempo.

MITO: Somente pessoas com distúrbios mentais podem cometer suicídios.

Fato: Comportamento suicida indica profunda infelicidade, mas não necessariamente distúrbio mental. Muitas pessoas vivendo com problemas mentais não são afetadas por comportamento suicidas, e nem todas as pessoas que tiram a própria vida têm distúrbios mentais.

MITO: Conversar sobre suicídio é uma má ideia e pode ser interpretada como encorajadora.

Fato: Por causa do estigma sobre suicídio, a maioria das pessoas que estão cogitando tirar a própria vid,a não sabem com quem falar. Ao invés de encorajar, conversar abertamente pode dar outras opções ou o tempo para que a decisão seja repensada, e assim prevenir o suicídio.

 

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,campanha-da-oms-apresenta-verdades-e-mitos-sobre-o-suicidio,1554401

 

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482285789Relacionamentos ou lares desfeitos, aumento do uso de drogas e dificuldades financeiras são alguns dos problemas que levam pessoas ao suicídio. No Brasil, essa é a terceira causa de morte entre jovens (atrás apenas de acidentes e violência), segundo a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Os transtornos psiquiátricos são o principal fator de risco para que alguém acabe com a própria vida. Segundo Meleiro, a depressão está em primeiro lugar (em 35% dos casos). Em segundo aparece a dependência de álcool e drogas e, em terceiro, a esquizofrenia. Por isso é muito importante combater o estigma que essas doenças possuem, ressalta a médica.

 “Os homens se suicidam mais, mas as mulheres tentam mais o suicídio”, comenta a psiquiatra em relação aos brasileiros. Mas ela diz que há exceções: na classe médica, por exemplo, são elas que mais se matam.

Entre os jovens, a taxa de suicídio multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4 a cada 100 mil pessoas no país. A tendência de aumento, aliás, é global. A psiquiatra diz que a gravidez indesejada na adolescência é um fator de risco importante nessa faixa etária.

Como os pais podem prevenir o suicídio de um filho? Segundo ela, o principal indício que deve ser valorizado é a mudança de comportamento. Irritação, desesperança, faltas no trabalho ou na escola também devem chamar atenção, assim como comentários de que a vida não vale a pena. Se alguém próximo se matou, o risco aumenta – se for o pai ou a mãe, a propensão é quatro vezes maior.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/03/20/suicidio-e-terceira-causa-de-morte-entre-jovens-diz-especialista.htm

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Para pesquisadores, insatisfação de pessoas infelizes é reforçada em ambientes ‘felizes’.

Países em que as pessoas se sentem mais felizes tendem a apresentar índices mais altos de suicídio, segundo pesquisadores britânicos e americanos.

Os especialistas sugerem que a explicação para o fenômeno estaria na tendência dos seres humanos de se comparar uns aos outros.

Sentir-se infeliz em um ambiente onde a maioria das pessoas se sente feliz aumenta a sensação de infelicidade e a probabilidade de que a pessoa infeliz recorra ao suicídio, a equipe concluiu.

O estudo foi feito por especialistas da University of Warwick, na Grã-Bretanha, Hamilton College, em Nova York e do Federal Reserve Bank em San Francisco, Califórnia, e será publicado na revista científica “Journal of Economic Behavior & Organization”.

Ele se baseia em dados internacionais e em informações coletadas nos Estados Unidos.

Nos EUA, os pesquisadores compararam dados obtidos a partir de depoimentos de 1,3 milhão de americanos selecionados de forma aleatória com depoimentos sobre suicídio obtidos a partir de uma outra amostra, também aleatória, com um milhão de americanos.

Paradoxo
Os resultados foram desconcertantes: muitos países com altos índices de felicidade felizes têm índices de suicídio altos.

Isso já foi observado anteriormente, mas em estudos feitos de forma isolada, como, por exemplo, na Dinamarca.

A nova pesquisa concluiu que várias nações – entre elas, Canadá, Estados Unidos, Islândia, Irlanda e Suíça – apresentam índices de felicidade relativamente altos e, também, altos índices de suicídio.

Variações culturais e na forma como as sociedades registram casos de suicídio dificultam a comparação de dados entre países diferentes.

Levando isso em conta, os cientistas optaram por comparar dados dentro de uma região geográfica: os Estados Unidos.

Do ponto de vista científico, segundo os pesquisadores, a vantagem de se comparar felicidade e índices de suicídio entre os diferentes Estados americanos é que fatores como formação cultural, instituições nacionais, linguagem e religião são relativamente constantes dentro de um único país.

A equipe disse que, embora haja diferenças entre os Estados, a população americana é mais homogênea do que amostras de nações diferentes.

Utah e Nova York
Os resultados observados nas comparações mais amplas entre os países se repetiram nas comparações entre diferentes Estados americanos.

Estados onde a população se declarou mais satisfeita com a vida apresentaram maior tendência a registrar índices mais altos de suicídio do que aqueles com médias menores de satisfação com a vida.

Por exemplo, os dados mostraram que Utah é o primeiro colocado no ranking dos Estados americanos em que as pessoas estão mais satisfeitos com a vida. Porém, ocupa o nono lugar na lista de Estados com maior índice de suicídios.

Já Nova York ficou em 45º no ranking da satisfação, mas tem o menor índice de suicídios no país.

Ajustes
Para tornar mais justas e homogêneas as comparações entre os Estados, os pesquisadores levaram em consideração fatores como idade, sexo, raça, nível educacional, renda, estado civil e situação profissional.

Após esses ajustes, a relação entre índice de felicidade e de suicídios se manteve, embora as posições de alguns países tenham se alterado levemente.

O Havaí, por exemplo, ficou em segundo lugar no ranking ajustado de satisfação com a vida, mas possui o quinto maior índice de suicídios no país.

Nova Jersey, por outro lado, ocupa a posição 47 no ranking de satisfação com a vida e tem um dos índices mais baixos de suicídio – coincidentemente, ocupa a posição 47 na lista.

‘Pessoas descontentes em um lugar feliz podem sentir-se particularmente maltratadas pela vida’, disse Andrew Oswald, da University of Warwick, um dos responsáveis pelo estudo.

‘Esses contrastes sombrios podem aumentar o risco de suicídio. Se seres humanos sofrem mudanças de humor, os períodos de depressão podem ser mais toleráveis em um ambiente no qual outros humanos estão infelizes’.

Outro autor do estudo, Stephen Wu, do Hamilton College, acrescentou:

‘Este resultado é consistente com outras pesquisas que mostram que as pessoas julgam seu bem estar em comparação com outras à sua volta’.

‘Esse mesmo efeito foi demonstrado em relação a renda, desemprego, crime e obesidade’.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/04/paises-mais-felizes-tem-maiores-taxas-de-suicidio-diz-estudo-1.html

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