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A psicoterapia interpessoal de grupo melhorou em 50% sintomas como depressão e ansiedade e em 80% a qualidade de vida de pacientes com transtorno do estresse pós-traumático.

É o que mostra um estudo realizado no Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência da Universidade Federal de São Paulo, que acompanhou, durante 16 semanas, 40 pacientes, que foram submetidos a sessões semanais em grupos de seis a oito pessoas.

Os voluntários haviam passado por situações como assalto e sequestro relâmpago com violência e risco de vida, abuso sexual e sequestro com cativeiro. Todos os pacientes eram crônicos e o evento tinha acontecido, em média, dois anos e meio antes. Eles não estavam respondendo ao tratamento com medicamentos.

No início da psicoterapia, todos apresentavam sintomas considerados severos. Ao final do período, passaram a leves. Segundo os autores, a tendência é de recuperação total em seis meses.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u587852.shtml

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Para psicólogos britânicos, ‘valor da comunidade’ é importante para a recuperação das vítimas.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que a ação imediata das autoridades é essencial para evitar que as pessoas afetadas pelas enchentes e deslizamentos na Região Serrana do Rio sofram de transtorno de estresse pós-traumático.

A condição pode se manifestar em pessoas expostas a eventos traumáticos, como desastres naturais ou episódios provocados pelo homem, como guerras, ataques violentos ou sequestros.

Na opinião do psicólogo Chris Brewin, que trabalhou com vítimas do furacão Katrina, que devastou a cidade de Nova Orleans em 2005, a prioridade dos governos federal e estadual uma semana após a tragédia deve ser “reconhecer a dor das pessoas e tentar reconstruir a comunidade o mais rapidamente possível”.

“No Katrina, o governo demorou demais para entrar com ajuda. As pessoas se sentiram abandonadas”, avalia Brewin, membro da Divisão de Psicologia e Ciências Linguísticas da University College of London (UCL).

Irwin Redlener, diretor do National Center for Disaster Preparedness (Centro Nacional de Preparação para Desastres) da Columbia University, em Nova York, que também trabalhou com vítimas do Katrina, afirma que os governos têm a responsabilidade de oferecer apoio psicológico às vítimas.

“Em desastres naturais como o que está acontecendo no Brasil é certo que as pessoas vão necessitar de apoio psicológico, se não ao longo dos próximos anos, pelo menos nos próximos meses”, afirma.

“O governo deveria oferecer apoio psicológico. Todas as famílias afetadas devem ter pelo menos uma avaliação preliminar por uma equipe de psicólogos”, diz.

Ele afirma ainda que, como as pessoas comuns são geralmente as primeiras a responder a desastres, é importante que sejam mais bem orientadas para saber o que fazer nessas situações.

O centro que ele comanda na Columbia University foi criado após os ataques de 11 de setembro, com o objetivo de melhorar a capacidade do país de preparação, resposta e recuperação de desastres.

Reações
O psicólogo Michael Reddy, da British Psychological Society, explica que vários tipos de reações emocionais podem ser esperados das vítimas nestes dias que se seguem ao desastre na serra fluminense.

Segundo ele, muitos podem estar revivendo a situação o tempo todo, “sentindo medo e pavor novamente”. Outros podem estar evitando a todo custo pensar ou falar sobre o que passaram, e há ainda os que podem estar “sobressaltados, levando sustos facilmente e tendo pesadelos”.

Ele ressalta, no entanto, que essas reações são normais e, num primeiro momento, não devem ser identificadas como transtorno de estresse pós-traumático.

“O diagnóstico só pode ser feito após um mês de sintomas ininterruptos. Antes disso não podem ser chamados de transtorno”, esclarece Reddy.

Ele explica que as pessoas com mais chances de desenvolver a condição são as que tiveram suas vidas ameaçadas e viram parentes morrer. Em seguida, vêm os que não correram risco de morte, mas perderam familiares e conhecidos. Em último, estão as pessoas que não sofreram perdas diretamente, mas estão “horrorizadas” com o episódio.

Personalidade
Para Irwin Redlener, a reação ao desastre depende da personalidade de cada pessoa.

“Alguns são mais resistentes e não terão efeitos no longo prazo. Outros vão carregar o impacto psicológico por um longo período, vão sofrer de transtorno de estresse pós-traumático. Os que participaram da resposta inicial têm uma possibilidade muito grande de sofrer traumas de longo prazo”, afirma Redlener.

Segundo o especialista americano, a primeira resposta das pessoas em casos com os das enchentes no Rio é tentar garantir a sobrevivência, e elas apenas reagem aos acontecimentos, sem tempo de processar as informações.

“Quando o perigo inicial passou, a pessoa já ajudou quem podia, ela para, respira e começa a ver a extensão do que aconteceu. É um período de confusão e desorientação. Um período de choque, quando percebem que tanta coisa mudou”, diz.

Redlener afirma que isso ocorre não apenas com familiares de vítimas e testemunhas, mas também com profissionais que trabalham nas equipes de resgate. Ele lembra que muitos bombeiros que atuaram no resgate e ajuda às vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, sofreram de transtorno de estresse pós-traumático por longos períodos. “Todos estão sujeitos, inclusive profissionais que atuam no resgate e no auxílio às vítimas”, diz.

Comunidade
De acordo com os especialistas ouvidos pela BBC Brasil, cerca de 60% das vítimas de desastres se recuperam do trauma sozinhos, sem precisar de apoio psicológico. Para os 40% que desenvolvem o transtorno, a ação da comunidade, com o apoio do governo, é extremamente importante.

“Em desastres de larga escala como esse, terapias de grupo organizadas pela comunidade funcionam bem porque incentivam as pessoas a se abrir, dividir experiências. Verbalizando os sentimentos lidamos mais facilmente com eles”, explica Michael Reddy.

Reddy conta ter coordenado um grupo de especialistas que ajudou vítimas do terremoto que matou 18 mil pessoas na Turquia, em 1999, e que se surpreendeu como o “valor da comunidade” foi imprescindível para a recuperação de milhares de pessoas que perderam tudo.

“Pelo que conheço do Brasil, imagino que seja uma situação semelhante, em que as famílias e os amigos são muito unidos.”

James Thompson, psicólogo do University College London, concorda. E, na sua avaliação, uma forma de superar traumas causados por desastres pode passar pela arte.

“Uma das técnicas é retratar o evento em forma de desenhos , peças teatrais ou pinturas, porque são meios aceitáveis de lidar com a dor”, sugere Thompson.

No caso do Brasil, segue ele, “isso pode passar pela música, dança, ou até uma novela”.

“O brasileiro tem a seu favor o entusiasmo, o espírito festeiro e a alegria. Em uma tragédia como essa, isso pode fazer a diferença e ajudar a comunidade a se reerguer”, diz.

Ainda segundo os especialistas, cerca de 15% dos pacientes não conseguem superar o transtorno de estresse pós-traumático, apresentando sintomas como ansiedade e depressão até três anos após o evento. Nesses casos, terapias individuais são o tratamento mais recomendado.

“O passo mais importante agora é garantir abrigo, comida, água e o mínimo de conforto possível. Em seguida, dar início à reconstrução das casas, mandar as crianças para a escola, voltar ao trabalho. Isso pode influenciar muito na maneira como essas pessoas vão lidar com as perdas de pessoas queridas e bens materiais”, detalha Chris Brewin.

Ainda segundo Brewin, a experiência com o Katrina ensinou que em situações como essa o governo deve evitar enviar as pessoas para longe da área do desastre para não quebrar o “laço social” que une a comunidade afetada.

“Muitas pessoas foram forçadas e se mudar para outros Estados do sul dos Estados Unidos e nunca se recuperaram emocionalmente, porque queriam ter refeito suas vidas onde moravam antes”, afirma.

Abandono
De acordo com Irwin Redlener, a sensação de abandono é agravada pelo fato de as pessoas esperarem que a ajuda oficial esteja a postos em uma situação desse tipo, o que nem sempre é possível.

“Geralmente há uma grande decepção. As pessoas estão acostumadas com o dia-a-dia, quando chamam o serviço de emergência e ele chega. Mas quanto maior a extensão do desastre, mais desorganizada será a resposta do governo”, diz. “Acabam tendo de tomar por conta própria medidas como procurar por comida, por abrigo, porque a ajuda oficial não está lá. Sentem-se isoladas, abandonadas e assustadas.”

Segundo Redlener, que também é pediatra e especialista em saúde pública, as crianças geralmente sofrem mais o impacto psicológico de um evento como as enchentes no Rio.

“As crianças são particularmente vulneráveis. Podem ficar muito quietas, não falar sobre o assunto. É preciso garantir que sejam protegidas”, diz.

Ele afirma que vários meses após a passagem do furacão Katrina, estudos mostravam que as crianças ainda sofriam um forte impacto da tragédia.

Tanto para crianças como para adultos, o tratamento deve incluir aconselhamento psicológico de longo prazo, diz o especialista.

Além dos ataques de 11 de setembro e do furacão Katrina, Redlener já acompanhou os esforços de resposta a desastres como o terremoto na Guatemala, que deixou 23 mil mortos em 1976, a fome de 1984 e 1985 na Etiópia, que matou 1 milhão de pessoas, e as enchentes no Paquistão no ano passado.

“Alguns desastres geram efeitos mais prolongados que outros. Alguns destroem casas. Outros destroem casas e toda uma comunidade”, diz. Redlener diz que também há uma diferença entre desastres sobre os quais há algum tipo de aviso prévio, como furacões, nos quais as pessoas podem se preparar, e aqueles que vêm sem aviso, como enchentes e terremotos.

“Mas em comum todos têm a falta de preparo das pessoas para reagir a um desastre. E dos governos também.”

Fonte:http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/governo-deve-agir-para-evitar-estresse-pos-traumatico-em-vitimas-dizem-especialistas.html

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A psicoterapia interpessoal de grupo melhorou em 50% sintomas como depressão e ansiedade e em 80% a qualidade de vida de pacientes com transtorno do estresse pós-traumático.

É o que mostra um estudo realizado no Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência da Universidade Federal de São Paulo, que acompanhou, durante 16 semanas, 40 pacientes, que foram submetidos a sessões semanais em grupos de seis a oito pessoas.

Os voluntários haviam passado por situações como assalto e sequestro relâmpago com violência e risco de vida, abuso sexual e sequestro com cativeiro. Todos os pacientes eram crônicos e o evento tinha acontecido, em média, dois anos e meio antes. Eles não estavam respondendo ao tratamento com medicamentos.

No início da psicoterapia, todos apresentavam sintomas considerados severos. Ao final do período, passaram a leves. Segundo os autores, a tendência é de recuperação total em seis meses.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u587852.shtml

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