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492643909Evitar o primeiro gole é a base do AA (Alcoólicos Anônimos), irmandade que desde 1935 é referência para o tratamento do alcoolismo.

Mas, para o psiquiatra Lance Dodes, diretor da unidade de abuso de substâncias do Hospital McLean, centro ligado à Escola de Medicina de Harvard, o método dos 12 passos do AA está cheio de falhas – e a abstinência sem concessões é uma delas.

O médico acaba de lançar nos EUA o livro “The Sober Truth: Debuking the Bad Science Behind 12-Step Programs and the Rehab Industry” (algo como “A Verdade Sóbria: Desconstruindo a má ciência por trás do programa de 12 passos da indústria de reabilitação”; editura Beacon Press, US$ 14,55).

Nele, o psiquiatra diz que a reaída integra a recuperação e deve ser vista sem julgamentos. “O foco deveria ser a compreensão das emoções que levam ao primeiro gole”, afirmou à Folha. “No AA, se há a recaída, é o paciente que não seguiu o método”, diz. “A irmandade nunca falha”.

Dodes critica o tratamento do alcoolismo como uma doença. Para ele, a condição deve ser tratada como um sintoma de compulsão.

“Não faz sentido falar para um compulsivo por comida parar de comer. Sei que não precisamos de álcool para sobreviver, mas o que quero mostrar é que perseguir a abstinência a qualquer custo é oferecer uma má terapia.”

Dodes ataca ainda a falta de evidência científica do AA e o foco estrito no alcoolismo – sem considerar outras condições psiquiátricas.

O psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp, concorda que a recaída faz parte do processo. “O desafio está em diminuir a frequência”, afirma.

As críticas dos especialistas são rebatidas pelo AA. Seus membros se dizem guiados pela lógica espiritual, não a científica. “Se conseguirmos irar uma pessoa do alcoolismo, já cumprimos nosso papel”, explica Olney Fontes, clínico geral e diretor do AA no Brasil. “Sabemos por inúmeras experiências que o primeiro gole é o gatilho para a volta do vício.”

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O AA está em 150 países. No Brasil, são 5.000 unidades. Muitas clínicas usam os 12 passos omo complemento à terapia.

O consenso é que não há uma terapia única para tratar o alcoolismo. Nos anos 1990, o projeto Match, que recebeu US$ 27 milhões do governo americano, comprarou o AA, a terapia cognitivo comportamental e a terapia motivacional. O estudo não encontrou diferença de eficácia entre as técnicas.

Hoje, a tendência é individualizar a terapia usando os recursos disponíveis, incluindo remédios e até a tentativa, por um certo período, do uso moderado daquilo que é consumido compulsivamente.

“Se o caminho for o AA ou o uso controlado do álcool porque o paciente quer tentar, vamos trabalhar com essas ferramentas”, diz Analice Gigliotti, chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Cliff.

Mas não são todos os especialistas que acreditam em concessões. “Temos que usar todos os recursos, mas há estágios que não permitem o uso controlado, é muito arriscado”, diz Marcelo Parazzi, da clínica Grupo Viva.

“Trabalho com esses pacientes há décadas e nunca vi um deles conseguir fazer o uso controlado do álcool”, diz Arthur Guerra, psiquiatra da USP e do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/08/1502467-livro-critica-metodo-do-aa-e-questiona-abstinencia-no-tratamento-do-alcoolismo.shtml?fb_action_ids=10204399997857999&fb_action_types=og.recommends

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Levantamento feito pela Unifesp mapeou os usuários em reabilitação.
8 milhões de brasileiros são dependentes de maconha, álcool ou cocaína.

56621865Ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico, de acordo com o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado nesta terça-feira (3) na capital paulista.

É a maior pesquisa mundial sobre dependentes químicos, de acordo com Ronaldo Laranjeira, um dos coordenadores do estudo.

Entre 2012 e 2013, foram divulgados dados sobre consumo de maconha, cocaína e seus derivados, além da ingestão de bebidas alcoólicas por brasileiros. A partir desses resultados, os pesquisadores estimam que 5,7% dos brasileiros sejam dependentes de drogas, índice que representa mais de 8 milhões de pessoas.

Desta vez, o estudo tentou mapear quem são os usuários que estão em reabilitação e qual o perfil de suas famílias. A pesquisa também quis saber como elas são impactadas ao ter um ou mais integrantes usuários de drogas.

“Para cada dependente químico existem outras quatro pessoas afetadas”, disse Laranjeira.

A análise foi feita entre junho de 2012 e julho de 2013 com 3.142 famílias de dependentes químicos em tratamento. Foi feito um questionamento com 115 perguntas para famílias que participaram desse levantamento. O estudo foi feito em comunidades terapêuticas, clínicas de reabilitação, grupos de mútua ajuda, como Al-Alanon e a Pastoral da Sobriedade.

As famílias foram ouvidas em 23 capitais de todas as regiões do Brasil. Segundo a organização, até então não existia no país nenhum estudo de âmbito nacional focado nelas.

De acordo com o estudo a maioria dos pacientes em tratamento para dependência química eram homens, com idade entre 12 e 82 anos. Desses, 26% tinham ensino superior incompleto ou completo. A média de idade dos usuários de drogas é de 31,8 anos.

Perfil dos usuários em tratamento
A maioria dos pacientes em tratamento (73%) era poliusuária, ou seja, consumia mais de uma droga. Em 68% dos casos, quem passava por reabilitação era consumidor de maconha, combinada com outras substâncias. O tempo médio de uso das substâncias foi de 13 anos, mas a família percebe apenas 8,8 anos de uso, em média.

A partir da descoberta da família, o tempo médio para a busca de ajuda após o conhecimento do consumo de álcool e/ou drogas foi de três anos, sendo dois anos para usuários de cocaína e/ou crack e 7,3 anos entre os dependentes de álcool Os familiares relataram ter o conhecimento do consumo de drogas pelo paciente por um tempo médio de 9 anos.

Mais de um terço (44%) relatou ter descoberto o uso devido a mudanças no comportamento do paciente.

O Lenad apontou que 58% dos casos de internação foram pagos pelo próprio familiar e o impacto do tratamento afetou 45,4% dos entrevistados. Em 9% dos casos houve cobertura de algum tipo de convênio. O uso de hospitais públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), foi citado por 6,5% das famílias de usuários em reabilitação.

Ainda segundo o estudo, 61,6% das famílias possuem outros familiares usuários de drogas. Desse total, 57,6% têm dependentes dentro do núcleo familiar. No entanto, os entrevistados desconsideram esse fator como de alto risco para uso de substâncias do paciente. Deste total, 46,8% acreditam que as más companhias influenciaram seu familiar ao uso de drogas. Já 26,1% culpam a baixa autoestima como responsável pela procura por entorpecentes.

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Cocaína, maconha e álcool 
A Unifesp já divulgou outras três pesquisas relacionadas ao consumo de drogas no Brasil, uma relacionada ao consumo de cocaína e derivados, outra sobre maconha, e outra que analisou a ingestão de bebidas alcoólicas.

Em agosto de 2012, o Lenad divulgou que cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil.

Em setembro de 2012, pesquisadores da universidade constataram que o Brasil era o segundo consumidor mundial de cocaína e derivados, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com o levantamento, mais de 6 milhões de brasileiros já experimentaram cocaína ou derivados ao longo da vida. Desse montante, 2 milhões fumaram crack, óxi ou merla alguma vez.

Em abril deste ano, outro estudo apontou aumento de 20% na quantidade de pessoas que consomem álcool frequentemente. A pesquisa informou que 54% dos entrevistados alegaram consumir bebidas alcoólicas uma vez na semana ou mais – aumento proporcional de 20% em comparação ao Lenad de 2006.

O crescimento foi maior entre as mulheres: 39% das entrevistadas admitiam beber uma vez por semana ou mais (seis anos atrás este índice era de 29%). Outro dado importante mostrou que 27% dos homens que bebem com menos de 30 anos já se envolveram em brigas com agressão.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/12/28-milhoes-tem-algum-familiar-dependente-quimico-diz-pesquisa.html

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Mais da metade das famílias de viciados tem capacidade de trabalho afetada.
Estudo da Unifesp apontou que 28 milhões no Brasil têm familiar dependente..

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Os dez anos de casamento da bancária Elisangela Farizel, 35 anos, com o autônomo Vinicius Farizel, 39, foram problemáticos desde o início. Alcoólatra por 24 anos, Vinicius enfrentou altos e baixos neste tempo devido ao seu vício, passou por duas internações entre 2012 e 2013 e agora, quer recuperar sua relação afetada pela dependência química.

O casal de Suzano (SP), ainda sem filhos, sabe que está doente. Ele, por assumir seu vício. Ela, após uma década de frustrações e renúncias, busca ajuda para melhorar seu psicológico no Al-Anon, grupo de ajuda a familiares e amigos de alcóolicos. “Tinha vezes que não deixava de sair, mas minha cabeça ficava em casa”, diz Elisangela. “Eu me trancava no quarto, porque se saísse de lá, sabia que ia fazer besteira”, complementa Vinicius.

Essa história se repete na casa de milhares de brasileiros, que sofrem por ter algum parente usuário de drogas, é o que mostra o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado nesta terça-feira (3).

Segundo o estudo, o dependente químico afeta as atividades diárias e o psicológico dos familiares: 58% das famílias com algum usuário de drogas têm afetada a habilidade de trabalhar ou estudar, 29% das pessoas estão pessimistas quanto ao seu futuro imediato e 33% têm medo que seu parente beba ou se drogue até morrer, ou alegam já ter sofrido ameaças do familiar viciado.

A pesquisa apontou ainda que ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar dependente químico. Os dados foram levantados entre junho de 2012 e julho de 2013. Um questionário com 115 perguntas foi respondido por 3.142 famílias de 23 capitais brasileiras. Foi a primeira avaliação em âmbito nacional focada nas famílias de dependentes.

Complicações financeiras
Elisangela e Vinicius conseguiram se reerguer após o marido passar por tratamento que custou quase R$ 20 mil reais, parte da quantia bancada pelo convênio médico. O gasto é considerado alto por ambos. Usar o dinheiro do orçamento familiar para bancar a reabilitação de um parente dependente é a realidade de 58% das famílias entrevistadas.

Mas pagar a reabilitação não é possível para boa parte da população, que, nesses casos, pode procurar pelos Centros de Atenção Psicossociais (Caps Álcool e Drogas), serviço oferecido pelo Ministério da Saúde.

No entanto, segundo o Lenad, metade das famílias ouvidas na pesquisa sequer ouviu falar sobre o Caps. Da outra metade que tem conhecimento a respeito, 54% procuraram pelo serviço. Deste total, 31% relatam que o paciente não gostou do tratamento e 24% disseram que o atendimento foi rápido e eficiente.

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‘Estratégia ineficiente’
De acordo com Ronaldo Laranjeira, um dos coordenadores da pesquisa, os números sobre o Caps indicam o pouco acesso ao tratamento pelo meio público porque “falta divulgação por parte do governo e investimento”.

Segundo ele, o serviço oferecido pelos centros deve integrar o paciente e a família, e “não persistir na política de redução de danos, que é equivocada e mantém o doente na sua doença”, explica o médico, referindo-se à metodologia empregada atualmente pelos centros públicos.

A estratégia parte do princípio que não deve haver uma imediata e obrigatória extinção do uso de drogas e sim um planejamento que reduza os danos aos usuários e aos grupos sociais que convivem com ele.

“Os serviços deveriam estimular a abstinência [que retira totalmente a droga do viciado], mas não quer dizer que seja algo fácil. O governo ainda defende uma política de redução de danos, mas a população afetada é que tem que dar a palavra sobre qual a política correta, no caso, aquela que pare o uso de drogas por parte do usuário”, explica o especialista.

Além disso, Maria de Fátima Padin, outra coordenadora da pesquisa, defende a necessidade de planejar melhor a prevenção ao uso de drogas por parte do governo, com foco em grupos de risco, como parentes (incluindo crianças) de usuários. “Medidas isoladas é jogar dinheiro no lixo. Fazer palestras e cartazes apenas não são eficazes. É preciso mudar a proposta”, explica.

Helvecio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, disse ao G1 que o governo concorda que precisa realizar um trabalho de divulgação para difundir os Caps para a população, o que reduziria o percentual de famílias que desconhecem o serviço, como apontado na pesquisa da Unifesp.

Magalhães afirmou ainda que a escolha entre as metodologias de “redução de danos” e de “abstinência” é um debate mundial e que não existe apenas um só caminho terapêutico para sanar uma condição crônica.

“Não tem essa de Caps ser menos eficiente que hospital. Está provado que não é verdade. A média de eficiência da [metodologia] abstinência nos melhores serviços é de cerca de 30%. O que precisamos é ter uma rede aberta e digna para atender as mais variadas formas”, disse o porta-voz do Ministério da Saúde.

Sobre os planos de prevenção, Magalhães explica que, de fato, não há nenhuma solução simplista que resolva o problema, como o uso de cartazes. “Mas estamos fazendo investimentos a médio e longo prazo, mirando a criança na escola, formando o professor, para que essa ‘coesão social’ seja a maior condição protetora contra as drogas”, conclui.

Famílias perseverantes
Enquanto persiste a indefinição sobre qual o melhor método científico que leve à “cura” do vício das drogas, famílias que passaram ou ainda passam por este problema recomendam outra coisa: ter esperança e fé.

Foi o caso de Cleide Cauduro, de 56 anos, de São Paulo. Dos quatro filhos, três se envolveram com drogas há 12 anos — a filha mais velha e um casal de gêmeos. Atualmente, os três abandonaram o vício, todos se formaram na faculdade um deles se formou em psicologia com ênfase na dependência química.

“A gente acha que não vai acontecer com a gente, mas acontece. A gente se sente culpada e se pergunta ‘onde foi que errei?’. Tudo isso abala”, diz Cleide.

“É importante que o doente saia da negação, deixe a vergonha de lado e procure ajuda mais cedo. A família também precisa perceber que tem que se tratar e buscar informações a respeito da doença. Sim, porque é uma doença”, diz Elisângela, ao lado do marido, na expectativa de que não ocorram recaídas no futuro.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/12/pesquisa-mostra-como-drogas-desestruturam-familia-de-dependentes.html

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Em seis anos, proporção de pessoas que bebem toda semana subiu 20%.
Índice dos que dirigem após beber caiu 21% entre 2006 e 2012, diz Unifesp.

AA029657 Um estudo publicado nesta quarta-feira (10) em São Paulo mostra que o consumo frequente de álcool tem se tornado cada vez mais comum entre os brasileiros. Segundo a pesquisa, a proporção de pessoas que bebem ao menos uma vez por semana – os chamados “bebedores frequentes” – aumentou 20% ao longo dos seis anos.

“Houve um aumento do consumo entre os que bebem. Você tem mais de um milhão de pontos de venda [de bebida alcoólica], as pessoas são estimuladas a consumir”, disse Ronaldo Laranjeira, professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos autores da pesquisa.

Os dados são do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad). Foram analisadas as respostas dadas por 4.607 pessoas de 149 municípios de todos os estados do país, na pesquisa de 2012. Com isso, foi possível fazer uma comparação com a primeira edição do Lenad, que avaliou dados de 3.007 voluntários, entrevistados em 2006.

Apesar do aumento na frequência de ingestão de álcool entre os que bebem, a quantidade de pessoas que dizem beber mudou pouco no período. O índice de abstinência, ou seja, de pessoas que não consomem álcool, subiu de 48%, em 2006, para 52%, em 2012, diferença que os pesquisadores da Unifesp consideraram insignificante.

Bebendo com mais frequência
Em 2006, 45% dos adultos entrevistados no Lenad diziam consumir bebidas alcoólicas uma vez por semana ou mais, o que configura um “bebedor frequente”. Em 2012, o número saltou para 54%, o que significa um aumento proporcional de 20% em seis anos, segundo o Lenad.

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O crescimento foi maior entre as mulheres: 29% das entrevistadas admitiam beber uma vez por semana ou mais, em 2006, contra 39% em 2012, uma elevação proporcional de 34,5%. Já entre os homens, o índice dos que admitiam beber uma vez ou mais por semana passou de 56% em 2006 para 64% em 2012, crescimento de 14,2% proporcionalmente, de acordo com o estudo.

Beber e dirigir
As políticas de Lei Seca no trânsito têm dado resultado, indicam os dados do Lenad. Em seis anos, houve uma queda proporcional de 21% entre os que admitem ingerir bebida alcoólica e dirigir – eram 27,5% dos entrevistados em 2006 e agora são 21,6%.

A queda foi mais acentuada entre os homens (19%, entre 2006 e 2012), mas eles seguem como maioria entre os que infringem a lei. Em 2012, 27,3% dos entrevistados afirmaram ter dirigido depois de beber, contra 7,1% das entrevistadas.

Região ‘campeã’
O Nordeste foi a região com redução mais acentuada na ingestão de bebida ao volante. Houve queda proporcional de 43% entre os que admitiam dirigir após beber. Em 2006, 39% dos entrevistados na região diziam infringir a Lei Seca, contra 22% dos indivíduos em 2012.

Já no Sudeste, segunda região com maior queda proporcional, a redução foi de 25% no mesmo intervalo de tempo. Em 2006, 24% dos entrevistados na região diziam dirigir após beber, contra 18% dos entrevistados em 2012.

Para Laranjeira, a única medida com fiscalização efetiva contra o consumo de álcool é a Lei Seca. “O mercado do álcool permanece intocado. Precisa mexer nas políticas [públicas]”, ponderou.

Beber muito e rápido
Um dos tipos mais preocupantes para o médico, o chamado “beber em binge” ou beber muitas doses rapidamente – que acontece nos “esquentas” para festas, por exemplo, de acordo com os pesquisadores – cresceu 31,1% proporcionalmente, em seis anos. Em 2006, 45% da população de bebedores admitiam ter este comportamento, índice que passou para 59% em 2012.

O aumento novamente foi maior entre as mulheres – 36% das que diziam ingerir álcool tinham esta  prática nociva de beber em 2006, contra 49% na última medição do Lenad, em 2012. Proporcionalmente, a elevação foi de 36%, segundo a Unifesp. “É o abuso que acontece em festas, por exemplo”, definiu Laranjeira.

108314627Álcool e violência
Segundo o Lenad, quase um terço (27%) dos homens com menos de 30 anos que bebem já se envolveram em brigas com agressão. O número é alto em comparação com os indivíduos na mesma faixa etária que não ingerem álcool – só 6% estiveram em brigas, em 2012.

A posse de arma de fogo e o ato de andar armado também sobem quando a análise inclui homens com menos de 30 anos que bebem, informa o estudo. Entre os indivíduos que não ingerem álcool, só 5% admitiram usar arma. Já entre os que têm menos de 30 anos e bebem, 10,3% andam armados.

De acordo com os pesquisadores, em 50% dos casos de violência doméstica (3,4 milhões de pessoas) registrados em 2012 houve ingestão de álcool por parte do agressor, o que sugere uma relação entre a agressão em casa e a bebida.

“Estamos despreparados para atender pessoas que querem parar de beber”, ressaltou Laranjeira, referindo-se às políticas públicas do Brasil. “A gente combate a violência doméstica, mas o álcool como origem destes casos, não.”

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/04/consumo-de-alcool-entre-brasileiros-se-torna-mais-frequente-diz-estudo.html

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