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A geração Y, nascida entre os anos de 1980 e 1990, quer trabalhar em empresas que compartilhem de seus valores e crenças, de acordo com uma pesquisa realizada neste ano pela consultoria Deloitte.

Para acomodar essas demandas, a área de Recursos Humanos, antes conhecida pelo trabalho burocrático de supervisionar contratações e a folha de pagamento, tenta se adaptar para manter os melhores funcionários.

“O antigo ‘departamento pessoal’ era um cartório”, diz João Baptista Brandão, professor de liderança e gestão de pessoas da FGV (Fundação Getúlio Vargas). “A nova geração é questionadora, e isso passou a ser aceito. Hoje, o RH desenha o ambiente da empresa”, afirma.

Para manter o jovem interessado, vale desde criar métricas de performance que permitam uma ascensão rápida até montar um bar.

É o caso da Diageo, multinacional do setor de bebidas, que recebe os funcionários para apresentar os resultados e oferece drinks do portfólio da casa. “Porém, o bar está inserido num ambiente de trabalho e só opera em ocasiões especiais”, afirma o diretor de RH João Senise.

Na norte-americana Stamples, que vende materiais de escritório e papelaria, em vez de café são servidos doces nos encontros com o diretor de RH, Alexandre Fleury.

Para Theunis Marinho, presidente da ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos), o funcionário não se motiva mais só com o salário. “Uma empresa se torna desejada por ter políticas que indicam ser possível realizar alguns sonhos ali.”

FEEDBACK E RESULTADO

A empresa de tecnologia Just Digital optou por abolir o RH, e a formação de lideranças é conduzida por suas próprias áreas. “Os líderes vão nascendo de forma orgânica. Eles se organizam e sempre há um que se destaca”, diz o CEO Rafael Cichini.

Para o colaborador Daniel Santos, há vantagens nesse modelo. “Isso estimula uma maior autonomia do funcionário. Para mim foi muito positivo”, diz.

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Já a Whirpool, que fabrica equipamentos domésticos, dá feedbacks frequentes. “A gente estimula que o gestor converse sobre isso, principalmente com a geração Y, que exige uma resposta mais assertiva e específica”, diz a diretora sênior de Recursos Humanos Andrea Clemente. As promoções não são baseadas em tempo de casa.

Mesmo quem sai de algumas empresas pode continuar no radar, como no Grupo Votorantim, que mantém contato com ex-trainees. Foi assim que André Carloni, hoje gerente da área de gestão imobiliária. “Fiquei muito honrado por ser cotado pela empresa após dois anos longe”.

Para Brandão, da FGV, as estratégias são positivas, mas é preciso realmente ouvir pedidos dos funcionários. “Não ter tempo para falar com a equipe é um tiro no pé.”

O QUE VEM POR AÍ

Nos próximos anos, as áreas de Recursos Humanos serão desafiadas sobretudo pela inovação tecnológica, segundo o especialista em capital humano Luiz Barosa, da consultoria Deloitte.

Realidade virtual, internet das coisas, inteligência artificial e até robótica devem ganhar terreno dentro das empresas. “Vamos ver essas ferramentas ocupando espaços das pessoas”, afirma.

Para a diretora de RH da Whirpool, Andrea Clemente, a exigência por diversidade no mercado deve crescer mais, sobretudo em questões de gênero. “É preciso preparar os líderes para entender como essa representatividade pode contribuir com a empresa”, diz.

É a estratégia da Natura, que quer metade do corpo de diretores e vice-presidentes mulheres até 2020. A cifra hoje é de 32%, segundo a diretora de RH Fatima Rossetto.

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Fonte: http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/2016/06/1780614-chegada-da-geracao-y-ao-mercado-forca-renovacao-na-gestao-de-pessoas.shtml

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