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85471355A cena é corriqueira: uma adolescente se olha no espelho, não gosta do que vê e entra em crise – não quer sair de casa, não quer ver ninguém, tem muita vergonha de si mesma. Para Solange C., publicitária de 29 anos, essa “crise” já dura cerca de 15 anos e só foi diagnosticada mais tarde como uma doença com nome e sobrenome: dismorfia corporal ou transtorno dismórfico corporal, entre outros nomes. E o que parecia excesso de vaidade levou Solange a uma depressão profunda e a uma existência que se dividia entre o ódio e a submissão ao espelho. “Sempre fui muito insegura com relação a minha aparência. E, na adolescência, as coisas pioraram, tinha crises fortes de choro e não queria sair de casa. Meus pais achavam que era coisa de menina, besteira. Fui a muitos psicólogos todos esses anos, e só aos 26 me deram o diagnóstico correto: dismorfia corporal”, ela conta.

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Constantemente confundida com uma preocupação superficial, relativamente comum em tempos de formas perfeitas em revistas e programas de TV, o maior perigo da dismorfia está no diagnóstico difícil. Afinal, não faltam por aí mulheres e homens querendo ser mais magros ou fortes, insatisfeitos com a aparência e lançando mão de todos os tipos de ginásticas, remédios, tratamentos estéticos e dermatológicos e até intervenções cirúrgicas em busca de uma beleza irreal. Mas a questão envolvendo a doença é mais profunda: “A dismorfofobia não está relacionada à vaidade, é mais uma questão de aceitação. O paciente enxerga um defeito muito maior do que ele realmente é e a vida dele fica restrita àquela característica”, explica o médico psiquiatra Celso Alves dos Santos Filho. O que torna o acesso ao tratamento mais complicado é a dificuldade que o doente tem em encontrar apoio e a vergonha que sente por sofrer tanto com sua forma física.

E o que, de fato, leva à dismorfia corporal? Além dos já mais do que discutidos exigentes padrões de beleza, da pressão dos amigos, da sociedade e até dos pais, existe um fator obrigatório para o desenvolvimento da doença: predisposição genética. “A doença deforma a autoimagem corporal da mesma forma que outros transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Pode ser associada a uma fragilidade do ego, mas a predisposição genética é necessária”, explica Patrícia Spada, psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp.

159666990A diferença essencial entre os transtornos alimentares e a dismorfia é que os primeiros são relacionados com as questões alimentares, o peso – o doente nunca se enxerga magro o suficiente; já a segunda é voltada à insatisfação com a imagem corporal concentrada – a pessoa “implica” com uma característica específica ou geral, o doente não gosta de várias coisas em si mesmo.

E, afinal, o que o dismórfico vê quando se olha no espelho? Segundo a psicóloga, uma alucinação. “Ele pode até ter um nariz proeminente ou estar levemente acima do peso, mas potencializa aquilo a um nível exagerado. O paciente imagina que as pessoas vão olhar para o defeito e aquilo vai virar o foco principal”, ela diz.

É importante ressaltar que a dismorfia não é uma doença exclusiva dos adolescentes, ela atinge todas as faixas etárias e pode ser desencadeada sob diversas circunstâncias, inclusive logo cedo, na infância e dentro de casa. “Um ambiente familiar que não reconhece a identidade da pessoa, a falta de apoio ao doente dentro de casa, a dificuldade em conseguir resolver seus conflitos são situações que agravam o problema. A educação da criança é fundamental para definir se ela terá ou não potencial para desenvolver a dismorfia”, diz Patrícia.

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Vaidade ou transtorno?

Por não ser uma doença de identificação simples, os portadores do transtorno dismórfico sofrem por muitos anos com um problema que acabam acreditando ser normal na vida das pessoas “feias” e se tornam inseguros, depressivos e sempre insatisfeitos. “Muitas pessoas podem portar a doença sem saber. Elas não percebem que é um transtorno emocional, acreditam que se corrigirem aquele defeito vão resolver sua vida”, explica o psiquiatra Celso Alves.

E, nesse meio-tempo, o quadro tende a piorar: geralmente evolui para depressão e o doente recorre a variados métodos para corrigir o que o incomoda. Solange, que tomava banho no escuro por vergonha do corpo, colocou silicone nos seios. Além disso, clareou os dentes duas vezes, que, alvos constantes de sua insatisfação, também passaram por uma série de mudanças. “Achava os meus dentes muito tortos. Usei aparelho fixo dos 11 aos 15 anos, mas ainda os via desalinhados. Nenhum dentista quis arrancar um dente bom para colocá-los no lugar. Eu nem sorria nas fotos. Resolvi, então, lixá-los com lixa de unha. Por fim, fui a um dentista que lixou os meus caninos e fez aplicações de resina”, ela conta.

Levando em conta que a vaidade é inerente à natureza do homem, há muitos questionamentos sobre qual é o limite que separa a simples preocupação com a aparência da dismorfia corporal. Segundo a psicóloga Patrícia Spada, a resposta é: quando essa preocupação passa dos limites. “O alerta está no dia a dia: o transtorno existe quando prejudica a vida da pessoa, ela passa a viver em função daquilo. 165075968A pessoa é tão preocupada com a aparência que não consegue desempenhar tarefas simples do cotidiano. Esse é o diferencial do diagnóstico”, ela explica. Isso significa que, além do especialista, quem ajuda a reportar a identificação da doença é o próprio paciente e as pessoas próximas a ele. Cirurgiões plásticos e dermatologistas, dois dos especialistas mais procurados pelos dismórficos, também podem encaminhar o paciente a um psiquiatra se acharem que o caso pede. Fora os sintomas e sinais mais subjetivos, não há, até o momento, transformações físicas que indiquem o transtorno. “É bem provável que exista uma alteração cerebral, mas ainda não foi identificada”, diz Celso Alves.

Recuperação lenta

O tratamento exige, sobretudo, paciência. Normalmente é psiquiátrico, com antidepressivos, psicoterapia e acompanhamento familiar. O efeito dos remédios para a dismorfia é secundário: melhora os quadros de depressão e ansiedade e, por consequência, diminui o sofrimento do paciente e aumenta a autopercepção. Para os casos menos graves, o doente pode se beneficiar bastante da psicoterapia. Se em alguns meses não apresentar melhora, os remédios são introduzidos no tratamento. Mas vale lembrar: a recuperação é lenta e contínua.

Solange hoje diz que em uma escala de 0 a 10, ela está no 7,5: “Comecei há dois anos com o tratamento psiquiátrico e resolvi mudar a minha vida. Saí de Florianópolis, minha cidade natal, que hoje não consigo deixar de associar ao meu fracasso pessoal, e fui morar no Rio de Janeiro. Melhorei bastante, considerando que tive fases em que nem banho tomava, mas ainda não gosto de muita coisa em mim mesma. Todo dia eu preciso rever minha postura, qual é o grau de importância da aparência para as pessoas, como eu avalio a beleza. É uma autoanálise diária”.10187397

Alerta dismorfia!

Além da preocupação exagerada com a aparência, existem outros sintomas que sinalizam a doença.

São eles:

• Insatisfação permanente com tudo e consigo mesmo
(sempre acha que faz tudo errado, que a vida é chata)
• Mau humor constante
• Irrita-se facilmente
• Dificuldade em desempenhar tarefas
• Dificuldade em se relacionar
• Timidez em excesso
• Tristeza e depressão

Fonte: http://www.onehealthmag.com.br/index.php/inimigos-do-espelho/

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