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Gerar um filho é sempre um momento especial da vida. Desde os sonhos de uma gravidez, os planos para o momento exato de engravidar, ao preparo emocional que enfrentamos durante os meses de gestação até o nascimento do bebê.

No entanto, todos nós sabemos que nenhuma gestação ocorre de maneira totalmente planejada, começando pelas gestações inesperadas, nem todo mundo engravida no momento em que esperava, assim como o decorrer da gestação dificilmente sai como o esperado. E em muitos casos, o sonho de um filho pode tomar um caminho diferente, a adoção.

E, assim como um filho biológico, podemos dizer que o filho adotivo também é gerado internamente pelos pais. A ausência de laços genéticos não invalida de forma alguma os laços e relações familiares.

Em um processo de adoção, também passamos pelo pensamento e reflexão sobre o momento para se ter um filho, essa fase que antecede a adoção é cheia de dúvidas, incertezas e preconceitos. Assim como o filho natural, o filho adotivo surge como um agente de realização e de prazer, porque neste aspecto em nada difere a filiação genética da adotiva. A adoção carrega o mito da dúvida sobre a escolha certa, o que leva muitas pessoas a desenvolverem uma atitude preconceituosa e inadequada sobre o seu futuro.

E é claro que em um filho adotivo, não vamos observar a herança genética, porém, precisamos compreender que um relacionamento não é feito através de semelhanças físicas e genéticas e sim através do afeto, são eles que criam e transformam as relações, perdurando, renovando e formando a vida.

E as crianças?

A criança adotada, se desenvolveu durante 9 meses no útero de sua mãe biológica, e sabemos que o feto sente os estados emocionais da mãe e reage a eles, ou seja, em muitos casos a criança passa toda a gestação em condições impróprias tanto física quanto emocionalmente. E nós, pais adotivos, não podemos negar esta história, mesmo que estas informações nunca apareçam em forma de lembrança, não quer dizer que aquela experiência afetiva está armazenada em algum lugar da criança.

A história ter sido difícil não significa que ela necessariamente será uma criança menos feliz ou mais difícil que as outras.

A saúde mental da criança depende dessa verdade, dados clínicos nos mostram que a mentira no contexto familiar, pode atuar como um fator desencadeador de patologias, pois, a mentira nunca terá status de verdade, a mentira vem sempre acompanhada pelos fantasmas da verdade porque sempre vão surgir tropeços, enganos, um mal-estar dentro da família, e isso sim pode trazer infelicidade e dificuldade nos relacionamentos e os distúrbios psicológicos da infância.

Como e quando contar?

Os pais são as melhores pessoas para descobrir qual o momento ideal, uma dica é introduzir o assunto a partir de perguntas que a própria criança faz, quando ela pergunta sobre seu nascimento, quando se depara com lembranças de uma época diferente, a própria criança já dá sinais de que tem condições emocionais para compreender o que lhe for explicado. Claro, dentro de uma linguagem adequada, de um forma adaptada a época e idade da criança para que ela consiga realmente compreender toda sua história e que essa revelação não se torne um momento traumático.

Como a psicoterapia poderia ajudar?

A psicoterapia pode oferecer aos pais uma orientação no trato da história, acompanhando cada momento, desde o preparo inicial do casal para uma possível adoção, trabalhando as idéias pré-concebidas, as idealizações de uma possível paternidade e maternidade, a programação do futuro e a chegada da criança.

Após a adoção, a psicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento do sentimento de segurança para estes pais adotivos, que eles não tenham que conviver com o medo constante do abandono, para que consigam perceber os sinais que a criança lhes oferece e que eles tenham a tranquilidade e a segurança emocional para identificar tais sinais e aproveitar o momento para a temida conversa com seu filho, de maneira saudável, agradável e que a criança perceba que, apesar de ter sido adotado, esta é a maior prova do amor que seus pais tem por ele.

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