Uma das grandes questões da satisfação com a vida e a felicidade é a de que se compreendermos melhor os mecanismos que facilitam essas emoções, seremos capazes de produzir esse estado de forma intencional. E para isso, precisamos aceitar que os pequenos detalhes muitas vezes têm um papel extremamente importante nessa busca pela felicidade.

Estes pequenos detalhes são na maioria das vezes desconsiderados ou subestimados tanto na vida privada quanto na profissional. Podem ser desde os comportamentos sociais como um sorriso, palavras de gentileza, um elogio, uma lembrança em alguma data especial, porém, o que acontece na maioria das vezes é que as pessoas indicam quando há algum problema ou algum conflito, porém, dificilmente apontam algo positivo ou bom no dia a dia.

A felicidade construída pode ser dividida em duas possibilidades, o bem-estar presente ou atual (imediato) e o bem-estar de longo prazo (habitual), este último traz consigo as várias áreas da vida.

Um bom ambiente profissional ou familiar e até mesmo de amizade, não existe somente porque se programa um evento anual entre todos os envolvidos em cada área da vida, mas sim com base em vários pequenos momentos em que se vive a felicidade atual. A primeira forma é uma experiência intensa de grande alegria, ela engloba todos os prazeres sensuais, sensoriais e vivências, ou seja, é uma entrega a uma atividade prazerosa. Pode ser desde um relaxar em uma praia, sentar em uma varanda na hora do pôr-do-sol, relaxar em frente a TV depois de um exaustivo dia de trabalho, estar com quem se ama, etc, todos estes são exemplos possíveis de prazeres do bem-estar presente, todos eles desencadeiam o afeto positivo. E é através deste que muitas pessoas ao descobrir que conseguem se motivar à realização de tarefas desagradáveis antecipando a sensação que preencherá seu momento após o término da atividade através do pensamento.

Outra forma de gerar felicidade atual é a redução dos afetos negativos, ou seja, quando a pessoa evita ao máximo tudo o que não a faz feliz. Uma técnica muito utilizada para isso é intitulada de brainstorming que é uma “chuva de idéias”, esta técnica geralmente é benéfica quando se testou várias idéias e não houve sucesso, então porque não descrever a situação em detalhes e aproveitar as idéias de várias pessoas e grupos diferentes para encontrar uma solução interessante. Depois, num segundo momento é feita a escolha da idéia que mais lhe é interessante e que possam reduzir o afeto negativo.

Sabemos que transformar um afeto negativo em algo positivo é muito difícil, porém, só de olhar a situação e o momento de forma diferente já é algo muito importante.

Já a felicidade de longo prazo se manifesta de acordo com a satisfação com a vida de acordo com os mais variados aspectos que nela se encontram, pode ser sobre um relacionamento afetivo, familiar, social, a segurança financeira, vida profissional, os momentos de lazer, etc, dependendo do que é importante para cada um.

No entanto, o sucesso em algum desses aspectos não é garantia da felicidade, existe também a insatisfação ou a simples infelicidade apesar das boas condições que possui na vida, nesses casos, o desconforto provavelmente tem causas mais profundas e só um processo psicoterapêutico pode ajudar na compreensão do momento e dos sentimentos.

Há também o inverso, a eterna satisfação, a felicidade mesmo em condições adversas, o que nos faz refletir sobre o quanto cada um pode realmente contribuir para elevar seu próprio nível de felicidade a longo prazo, estar presente em cada momento e fazer dele o que realmente é, único, aproveitar cada oportunidade para se alegrar e desenvolver hábitos de pequenos prazeres como tomar café observando o nascer do sol, ouvir músicas durante a prática de atividade física, desejar bom dia aos colegas antes de se iniciar qualquer etapa do trabalho.

O que importa nessa busca pela felicidade e pela qualidade de vida é o número de pequenas coisas que trazem a tona a sensação de felicidade, de nada adianta um final de semana maravilhoso com quem se ama, em um lugar paradisíaco se a semana que está por vir lhe causa ansiedade e angústia.

O mais curioso, que pelas experiências pessoais e também em consultório, começo a observar que, pessoas com uma clara visão do mundo, tem uma tendência maior a depressão, avaliando seu desempenho e chances de maneira mais real. Enquanto os otimistas tem uma percepção imaginária da vida e acabam sempre com um sorriso no rosto, o que nos faz pensar que é bom manter um pouco da inocência e ilusão da infância, o que não pode acontecer é basear a felicidade apenas na imaginação.

Como podemos então detectar o que nos proporciona felicidade e como identificar os afetos negativos? A resposta são os marcadores somáticos, são sensações físicas, sentimentos ou uma mistura dos dois que podem ser percebidas na experiência emocional. É uma memória cerebral que classifica todos os eventos significativos estruturando uma forma de pensar ou sentir, e com isso, vivências desagradáveis produzem marcadores somáticos negativos e sinalizam os momentos e situações que devem ser evitados, enquanto que as experiências que provocam prazer geram sinais positivos.

A memória das vivências emocionais é o que nos torna um indivíduo o que sentimos como nossa essência, mesmo que elas se transformem ao longo do tempo.

Os marcadores somáticos só podem ser utilizados de maneira proposital quando possuímos uma auto percepção muito forte, possibilitando o registro de tais informações, podendo então estimular ativamente o seu sentimento de bem-estar, independente das circunstâncias externas.

A autonomia é o segredo para a satisfação a longo prazo, é alguém que consegue escolher e arcar com as consequências de cada efeito, é condicionar sua própria felicidade independente de tendências, opinião de outras pessoas, modismos, grupos, etc.

Esta capacidade de saber o que é importante para si mesmo depende muito da atenção que dedicamos aos marcadores somáticos, ajudando então na tomada de decisão e também no encontro de motivação para a busca pelos objetivos de vida.

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