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Desde o nascimento, os seres humanos sentem a necessidade do contato com o meio e conseqüentemente com outras pessoas, pois, dependem dos cuidados proporcionados pelo outro (mãe, pai, avós). E é durante esse período que nós, seres humanos, começamos a desenvolver um elemento fundamental para nossa sobrevivência, o vínculo afetivo.

Quando entramos em contato com outras pessoas, várias funções são ativadas: o ver, o escutar, o falar, o toque, o olfato, o gosto, o movimentar-se, assim como nossos sentimentos naquele exato momento, ou seja, utilizamos toda a nossa capacidade e sentidos para canalizar nossas energias e criar bons contatos com o meio. Quando se obtém sucesso, conquistamos autoconfiança e cada vez melhor será nosso contato com as pessoas e o ambiente, caso contrário, podemos ser influenciados por sentimentos como a confusão, impotência, desapontamento, decepções, frustrações, entre muitos outros.

É muito comum ouvir pessoas se queixando das dificuldades de seus relacionamentos, sejam amorosos ou de amizade, muitos não se sentem aceitos ou compreendidos, simplesmente amarguram decepções e frustrações.

Embora mais fácil, responsabilizar o outro como sendo o responsável pelo mau êxito do relacionamento não ajuda na melhora a relação, nem na busca por vínculo afetivo em geral. Muito mais produtivo é desenvolver uma boa percepção e conhecimento de si mesmo e assim conseguir observar como estamos nesse ou naquele relacionamento.

No momento em que estabelecemos um bom contato, precisamos reconhecer nossos desejos, nossas necessidades e sentimentos, mesmo que estes não sejam semelhantes aos da outra pessoa. Desta forma, vamos lidar melhor com o medo da separação, da decepção, o medo de ser rejeitado, assim como, compreender e respeitar as diferenças de cada um.

Em qualquer relação humana, sobretudo na vida a dois, inicialmente se evidencia o poder do envolvimento e a atração das partes que se conheceram, pois, escolhemos os nossos pares pelo comportamento aparente. Com o passar do tempo e a instalação da rotina, podemos conhecer melhor a pessoa com quem nos envolvemos, percebemos as verdades e não somente as atitudes aparentes. É nesse período então que começam a surgir as dificuldades para lidar com as diferenças e os “defeitos” um do outro.

Num relacionamento amoroso ou de amizade, vários fatores podem dificultar e interferir negativamente na manutenção dessa relação, dificuldades financeiras, diferenças de educação e cultura, formação profissional, estilo e objetivos de vida, problemas sexuais, infidelidade, traição, beleza estética, fases de vida, entre muitos outros, assim como diferenças de credo e fé e também qualidades da personalidade como a timidez ou a extroversão.

 Contudo, alguns desses fatores considerados na maioria das vezes como influenciadores negativos de um relacionamento, muitas vezes podem contribuir como complemento para muitos relacionamentos, sendo então favoráveis para a manutenção da amizade ou do casal, ou seja, não existe regra alguma para determinar uma relação saudável ou não saudável, porém, a vontade de se cuidar utilizando-se do autoconhecimento e da auto-percepção estimula a compreensão do outro e, conseqüentemente, o interesse pelo bom desenvolvimento da relação.

Muitos obstáculos nas relações humanas estão ligados a esta precariedade de vínculo. O casal não consegue perceber este tipo de deficiência em seu relacionamento. Focaliza os problemas em outras questões, ou ainda, prefere não tocar no assunto. Há casos em que se ignora a possibilidade de buscar a psicoterapia. E, existem situações em que a resistência impera. Fato comum é dizer que não se precisa de tratamento algum, pois que as dificuldades são de outra ordem. Todavia, perde-se a chance de resolver na causa os efeitos de uma convivência difícil. 

É necessário aprender a administrar as dificuldades existentes em qualquer tipo de relacionamento, proporcionando maior qualidade de vida nas relações e isto se dá de dentro para fora. Leva tempo, mas, deve-se considerar que os resultados, conforme o desejo e a vontade utilizados no processo em conjunto com as atitudes individuais trarão maior liberdade e tranqüilidade para se viver a individualidade e as relações com o outro.

Dialogar e, entenda-se bem, conversar com o coração aberto, oferece uma primeira abertura para se compreender a vida do casal. Dar o primeiro passo pode modificar aquilo que já era considerado algo inevitável, como a separação. Realizar esta tarefa não é simples e requer coragem e vontade para mudar. Aceitar os problemas e lutar para transformar o prejudicial em saudável. Há uma necessidade de crescimento por parte das pessoas envolvidas. O grau de maturidade determinará o quanto se quer conviver bem. Ambas as partes devem estar dispostas e comprometidas em participar deste processo, apoiando-se.

 Psicoclínicas – Ricardo T. Miyazaki

 

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