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Depois de um século dedicado a estudar as neuroses, os doutores da alma acham que o melhor caminho agora é descobrir as raízes da saúde mental. O sucesso prático deles nessa nova via é surpreendente.

“As pessoas podem nascer com características negativas ou terem tido uma criação que lhes inculcou outras piores, mas elas não precisam passar a vida inteira se sentindo presas a essas armaduras psicológicas”, diz Martin Seligman, o psiquiatra americano que reavivou os princípios da psicologia positiva e, ao fazer isso, transformou a própria vida. Seligman diz que a timidez, a teimosia, a dificuldade de concentração e de relacionamento, o temperamento explosivo, a impaciência, a frieza emotiva e o pessimismo são traços negativos da personalidade que podem, com algum treinamento e aprendizado, ser atenuados e até vencidos totalmente. A idade, garante ele, não é um fator inibidor de mudanças. Pode até ser um estímulo.

Na trilha aberta por Seligman há alguns anos, outros estudiosos encontraram uma fecunda plataforma de pesquisa. Um deles é o americano George Valliant, editor da mais respeitada publicação do ramo, o American Journal of Psychiatry. “Colocando a questão de forma simples, diria que a psiquiatria passou décadas centrada na questão da doença mental. Agora o foco mudou para a saúde mental”, escreveu Valliant no artigo de fundo no número de agosto da publicação que ele edita. O estudioso faz uma preciosa observação para entender o vigor dessa nova avenida aberta às linhas de pesquisa da mente humana: “Do ponto de vista físico, o contrário da doença é simplesmente a saúde. Mas, na parte mental, saúde é muito mais do que ausência de sintomas. É ter uma mente que equivale, na biologia, a um corpo musculoso e com capacidade aeróbica”.
Valliant define uma pessoa mentalmente saudável como alguém em quem se podem identificar as seguintes características:

• Ela está em paz com a própria identidade e com os sentimentos.
• Está orientada para o futuro e é capaz de se manter produtiva.
• Tem disposição mental que lhe permite conviver bem com o stress.
• É capaz de perceber a realidade sem distorções e ainda manter a empatia.
• E, finalmente, é capaz de trabalhar, de amar, de se divertir ao mesmo tempo que continua sendo uma pessoa eficiente na resolução de problemas.

Durante anos os estudiosos da mente – psicólogos, psiquiatras e mesmo alguns neurologistas – rejeitaram a idéia de saúde mental nos termos propostos por Seligman e Valliant. A razão pode ser encontrada em Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Freud escreveu claramente que buscar o estado constante de saúde mental era “um ideal fictício”. Todas as mulheres e homens, dizia Freud, nascem ou se tornam mentalmente imperfeitos. As pessoas viriam ao mundo com uma espécie de pecado original psicológico e seria tão vital quanto inútil lutar para se livrar dessa marca de nascença. Talvez por isso, a herança intelectual de Freud seja considerada hoje muito menos uma receita para resolver problemas e angústias do cotidiano e muito mais um dos maiores textos em língua alemã, deixado por um profundo observador da fragilidade e da trágica condição humana. Essa é uma questão que não se esgotará tão cedo na academia. Na vida real, as pessoas continuam sendo escolhidas como parceiros, namorados, esposos, sócios ou empregados de empresas com base em seus traços de personalidade – muito mais preponderantes atualmente, em muitos casos, do que a bagagem cultural que acumularam.

O psicólogo Roger Gould, que mantém uma coluna na revista leiga americana Psychology Today, não tem dúvida disso: “O caráter, em sua acepção mais ampla, engloba a personalidade, e não apenas a parte ética. O caráter é mais importante que o intelecto. Foi assim na história humana recente. Hoje, isso é uma realidade predominante”.

Gould lista as características que a Nasa usa para decidir quem será astronauta quando diante de candidatos igualmente competentes.
São capazes de trabalhar em estreita convivência com outras pessoas durante um tempo longo em espaços exíguos. A situação contrária, o isolamento extremo e prolongado, também afeta pouco seu desempenho ou humor.

• Eles confiam nos outros e nunca reclamam de desconforto.
• Emoções fortes, positivas ou negativas, produzem neles reações vigorosas, mas não paralisantes.
• Nunca tomam a iniciativa de falar de suas emoções mais íntimas, porém não se furtam a falar delas quando provocados.
• Sabem avaliar o estado de espírito das pessoas que os cercam.
• São ao mesmo tempo agressivos e cuidadosos. Aventuram-se mais, mas se acidentam menos que a média dos pilotos.

Situações em que alguns daqueles traços se tornam determinantes para uma vida equilibrada e plena, estão se tornando cada vez mais comuns, seja em família, na escola, em sociedade ou no trabalho. E qual a boa notícia? A boa notícia, de acordo com pensadores da linha da psicologia positiva, é que os traços de personalidade mais associados com uma vida harmoniosa podem ser desenvolvidos pela aprendizagem. Obviamente, não existem soluções sem esforço nessa área. Certos traços benéficos de personalidade são mais fáceis de ser adquiridos que outros componentes do chamado “capital humano”, como modernamente se definem as potencialidades das pessoas.

“Os estudos mostram que 75% dos profissionais têm traços de caráter e de personalidade que dificultam o exercício de todo seu potencial pessoal na família e na empresa”. A questão, portanto, não é negar a conclusão de Freud de que todo mundo é neurótico. A questão a que se propõem os novos doutores da alma é não se deixar paralisar por essa conclusão do fundador da psicanálise, e sim usá-la de modo mais produtivo. É exatamente essa a proposta de Valliant em seu artigo: “Não descobriremos nunca as causas do sofrimento neurótico se não tivermos idéia clara dos fatores que produzem a saúde mental.

Fonte: http://veja.abril.com.br/170903/p_088.html

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