Tente pesquisar o nome do seu filho na internet. O resultado pode ser bem diferente do que você imagina. Estudos recentes mostram que pais pensam que sabem, mas, no fundo, não têm ideia do que os filhos fazem on-line.

Um exemplo: 33% das crianças confessam que já fizeram compras virtuais, 24% delas sem consentimento. Mas só 17% dos pais pensam que seus filhos compram na rede, segundo o relatório Norton Online Family, da Symantec, feito com 9.888 pessoas.

Outro estudo mostra o que os adultos provavelmente não veem: 88% dos jovens de 12 a 17 anos já presenciaram crueldade na internet e 21% já humilharam pessoas em redes sociais –dados do relatório “Teens, Kindness and Cruelty on Social Network Sites” (adolescentes, bondade e crueldade em redes sociais), feito pelo Pew Research Center’s Internet e American Life Project.

Patricia Peck, especialista em direito virtual e criadora do projeto Criança Mais Segura na Internet, diz que o excesso de confiança reflete um desconhecimento. Muitos adultos não estão na rede e acham que estar em casa é estar seguro.

“Quando um filho dá uma volta na rua, perguntamos com quem ele conversou. Mas não questionamos o que rolou na internet.”

Não é descuido, é inexperiência, opina o psicólogo Cristiano Nabuco, pesquisador na área de dependência em internet. “Não dá para imaginar os perigos de uma situação que você não viveu.”

A lista de riscos inclui desde conversar com estranhos até ficar dependente e se desligar do mundo real.

“Se nós adultos checamos e-mail até na praia, imagine um adolescente, em que o controle cerebral de estímulos não está totalmente desenvolvido”, diz Nabuco.

BATALHA PERDIDA

Seria mais simples proibir, mas é impossível evitar que crianças e adolescentes acessem a rede. Se não for em casa, vai ser na escola, com o amigo, no celular.

“É a mesma coisa que falar para seu filho nunca comer picolé. É inútil, quando ele puder, vai comer, e sem sua supervisão”, diz a psicóloga Andrea Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP.

Melhor juntar-se ao “inimigo”? Os números dizem que sim. A última pesquisa TIC Crianças, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que os pais conectados são os que mais controlam o acesso e melhor orientam os filhos sobre o uso da rede, de acordo com Alexandre Barbosa, porta-voz da entidade.

É a estratégia da dona de casa Viviane Pereira, 35. Ela está no Facebook, Twitter, tem um blog (o “Mãe Digital”) e segue os passos virtuais da filha Rafaela, 16.

“Eu não me importo, sempre foi assim. Também não faço nada de errado”, diz a menina, dona de um laptop nunca rastreado pela mãe. “Fico de olho, mas ela tem a privacidade dela. Não sei tudo que ela faz. Sei que participa de fóruns de música.”

Com o filho mais novo, Italo, 7, a rédea é mais curta. Ele usa um computador com bloqueio de sites e sempre tem alguém por perto. Mesmo assim, acidentes acontecem.

“Uma vez, ele estava pesquisando sobre a Grécia e chegou na palavra busto. Foi clicando e acabou em uma página com fotos sensuais de mulheres. Minha filha viu e me chamou.” A situação foi contornada com conversa.

Nisso os especialistas concordam: se proibir não adianta e pode até piorar, diálogo sempre ajuda. Não é preciso aterrorizar a criança, mas alertar do risco da exposição e do uso de imagens, avisa Patricia Peck.

Antes dos dez anos é preciso supervisão constante, mas depois dá para soltar um pouco e, se houver desconfiança, usar ferramentas que geram relatórios de sites visitados.

Para Andrea Jotta, as mesmas regras do mundo real valem para o virtual. “A criança pode ganhar cada vez mais autonomia quando mostrar que é responsável e segue alguns combinados.”

E regras são regras. “Se descumpridas, devem ter castigo”, aconselha a psicóloga.

Se o pai descobrir que o adolescente está acessando conteúdo impróprio, em vez de brigar, pode aproveitar para discutir o tema. “Não tem como deixar os sites de sexo bloqueados para sempre”, diz o especialista em segurança virtual Bruno Rossini, da Symantec.

SENSO CRÍTICO

Não tem uma idade certa para a criança começar a ter contato com a internet, de acordo com a psicóloga e educadora Carmem Rodrigues Schffer, da Universidade Fumec (Fundação Mineira de Educação e Cultura). Mas até os seis anos, ela não vê muitos benefícios.

Stella Perlatti, 6, entra em sites de bonecas, vê vídeos e pediu para ter um blog. A mãe, a design Priscilla Perlatti, 34, deixou. Priscilla vive na internet –é uma das autoras do site de maternidade Mamatraca. “Fazemos o blog dela juntas. Ela ilustra com desenhos feitos em um tablet.”

A mãe ainda não usa nenhum filtro no computador e não sabe quando será necessário. “A Stella já está começando a sair do nosso controle, mas quero esperar para ver o que vai acontecer.”

Com a alfabetização, o interesse das crianças passa a ser concreto: elas pesquisam coisas relacionadas ao cotidiano, mas ainda não são capazes de julgar os conteúdos. Depois da pré-adolescência, podem analisar conteúdos criticamente, explica Schffer. Ela acredita que o uso do computador ajuda no desenvolvimento cognitivo.

Valdemar Setzer, professor aposentado do Departamento de Ciência da Computação da USP, discorda. Segundo ele, a internet é altamente distrativa. “Computador e internet são instrumentos de adulto. Ninguém dá um carro para uma criança aprender a usar.”

Para a educadora Eloiza Oliveira, diretora do campus virtual da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o risco está no excesso de credibilidade dado a informações da rede.

“É preciso ensinar a duvidar, mas nem tudo na internet é negativo. Temos preconceito. Os jovens se envolvem em campanhas, discutem temas sérios e convivem socialmente de forma positiva.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1034973-pais-nao-sabem-o-que-filhos-fazem-on-line-aprenda-a-evitar-riscos.shtml

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Enquanto os alunos ainda estão de férias, a educadora Nadia Bossa dá aulas à distância para ensinar os professores a lidar com as novas dificuldades das crianças nas salas de aula.

Doutora em psicologia e educação pela USP e pesquisadora da Universidade de Turim, Bossa conta como os pais podem saber e o que fazer quando os filhos têm transtornos de aprendizagem.

Folha – Como os pais podem identificar o transtorno?
Nadia Bossa – Sugiro que façam uma espécie de laboratório com os filhos. Não é preciso aplicar uma prova em casa, mas colocar a criança diante de situações que exijam raciocínio matemático, interpretação de texto ou habilidades motoras [veja abaixo].
Serve para acender um sinal de alerta. Se o sinal obtido for vermelho, é preciso procurar ajuda de um psicólogo, psicopedagogo ou de um neuropediatra.

O professor sabe quando o aluno tem algum transtorno?
É difícil que o professor não saiba que algo vai mal. O que acontece mais frequentemente é o professor ver que o aluno tem dificuldade e tentar aplicar os métodos tradicionais, que funcionam muito bem em crianças sem transtornos de aprendizagem, mas não com as que têm o problema.

O problema está aumentando ou há uma banalização do diagnóstico?
Há as duas coisas. Existem diagnósticos precipitados e malfeitos e até pais que decidem que a criança tem uma coisa que nenhum médico disse que ela tinha, mas o problema de fato é crescente. Hoje as pesquisas apontam que algo entre 5% e 10% dos alunos apresentam algum transtorno específico da aprendizagem.

Por que esses transtornos estão crescendo?
Parece que é por conta de um tipo de criação que prioriza o desenvolvimento de algumas habilidades e negligencia outras.
A rotina das crianças é muito privada de atividades motoras mais amplas. Elas não correm na rua. Hoje, o brinquedo faz tudo, a criança só olha ele dançar, piscar luzinhas. O brinquedo faz coisas demais e a criança termina por fazer coisas de menos.
Antes elas montavam a casinha, separavam os objetos, eram atos classificatórios, era interação com objetos reais, desenvolvia noção de espaço.

Brincar no iPad, por exemplo, não pode desenvolver novas habilidades?
Sim, mas elas não são as mesmas necessárias nas tarefas acadêmicas. O excesso de uso de tablets e computadores acaba atrofiando justamente as habilidades que serão exigidas no início da vida escolar: habilidades motoras, criatividade produtiva, manusear materiais e construir coisas a partir deles. O excesso de contato com iPads, computadores e videogames gera na criança uma dificuldade em equilibrar a atenção difusa e a atenção concentrada.

Mas essas tecnologias estão também na sala de aula…
A escola pode ser um ambiente tecnológico, nada de errado com isso desde que ela valorize o desenvolvimento físico com a mesma atenção. O que vem acontecendo é que tanto em casa quanto na escola todos se esquecem de que a criança tem um corpo e que esse corpo precisa aprender coisas, precisa se exercitar tanto quanto o cérebro.

Transtorno de aprendizagem é doença? Tem tratamento?
Não é uma doença, é um tipo de funcionamento cerebral diferente que nós tratamos com uma espécie de “fisioterapia cerebral”, que são atividades, jogos e desafios específicos para desenvolver as áreas em que a criança encontra mais dificuldade.
Frequentemente precisamos tratar com uma equipe multidisciplinar, com neurologista, psicólogo e psicopedagogo. Quem procura ajuda até a criança chegar aos oito anos provavelmente vai conseguir resolver o problema.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1038920-saiba-identificar-se-seu-filho-tem-transtorno-de-aprendizagem.shtml

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O ano novo chegou e agora, algumas semanas já se passaram em janeiro e eu pergunto a quantas andam suas resoluções e promessas de ano novo? Lógico, estou falando daquelas de curto prazo: controlar a alimentação, fazer mais exercícios, começar aprender uma nova língua. É curioso como algumas pessoas conseguem seguir em frente com as resoluções de ano novo, enquanto outras acabam desistindo cedo e voltam ao comportamento anterior. Seria esse poder determinista algo que algumas pessoas nascem com ele ou isso é algo que pode ser ensinado?

Gostaria de tentar responder essa pergunta usando como exemplo o trabalho do psicólogo Walter Mischel, da Universidade Columbia, em Nova York, EUA. Walter tem um trabalho excelente que começou com uma observação curiosa em suas próprias filhas. Na final dos anos 60, Walter tinha três meninas com idades entre 2 e 5 anos. Como muitos pais provavelmente notam, muitas mudanças acontecem no comportamento das crianças por volta dos 4 anos.

Quando uma das suas filhas fez 4 anos, ela adquiriu repentinamente a capacidade de retardar a gratificação imediata. Andando no mercado, a menina fazia um escândalo porque queria alguma coisa e tinha que ser na hora. Depois dos 4 anos, passou a entender que se esperasse ao chegar em casa, poderia negociar algo melhor. Walter observou esse tipo de autocontrole acontecer com todas as suas filhas, como se estivessem programadas pra isso.

Na ausência de qualquer literatura cientifica sobre o assunto naquela época, Walter decidiu aplicar uma metodologia cientifica para confirmar essas obervações preliminares. Inventou o teste do marshmallow. Recrutou crianças com diversas idades na escolinha das filhas e as colocou num quarto, sentadas de frente para uma mesa com um prato com um marshmallow. Falou para cada uma delas que poderiam comer o marshmallow na hora, ou esperar um pouco e ai teriam dois marshmallows. Nesse instante, Walter deixava as crianças sozinhas no quarto e registrava a reação de cada uma com uma câmera oculta. Ficavam sozinhas no quarto, de frente para o doce, refletindo sobre o que fazer. Não existia nenhum tipo de distração no quarto, nenhum outro brinquedo, fotos na parede, nada, só a tentação do marshmallow.

O resultado foi pura agonia. As crianças cheiravam o doce, lambiam, colocavam de volta na mesa. Outros, ficavam chutando a pesa, viravam de costas, ficavam cantarolando. Enfim, uma infinidade de comportamentos agonizantes, verdadeira tortura mental, onde uns comiam e outros esperavam. Foram testadas 500 crianças e Walter confirmou a observação inicial, a partir dos 4 anos de idade, as crianças passavam a ter autocontrole e não comiam o doce imediatamente. A variação de tempo que essas crianças conseguiam se controlar foi grande, uns seguravam por 1-2 minutos, outros até 10 minutos, numa média de 7-8 minutos. Mas o mais impressionante foi o que aconteceu em seguida, 5-6 anos depois desse experimento.

Walter estava conversando com suas filhas informalmente e perguntou como estavam os coleguinhas, agora já em idade escolar. A resposta variava, alguns estavam indo muito bem, outros tinham mais dificuldade na escola. Walter notou uma tendência, aqueles que haviam segurado a tentação do marshmallow por mais tempo, estavam se dando melhor nos testes escolares. Decidiu então esperar mais 5 anos, quando os indivíduos estariam prestando o equivalente ao nosso ENEM, um dos testes mais importantes na carreira escolar americana.

Veja bem, a idéia não era encontrar correlação nenhuma entre o ridículo teste do marshmallow e as notas escolares dos adolescentes, mas a conclusão foi oposta. A correlação foi extremamente significativa. Aqueles garotos de 4 anos que esperaram mais tempo antes de comer o doce foram os que tiveram as melhores notas nos testes. Notas muito melhores mesmo, a diferença foi gritante, não marginal apenas. Além disso, outros estudos mostraram que as crianças com tempos maiores no teste do marshmallow entraram em melhores escolas, tinham um comportamento melhor. Em nítido contraste, aqueles com tempo menores eram classificados pelos pais como garotos problemáticos, com mal comportamento na escola, envolvimento com drogas e passagens pela policia, inclusive.

Esses resultados foram tão estranhos que Walter decidiu continuar o estudo. Fez uma análise muito mais profunda dos mesmos indivíduos, 40 anos depois do teste do marshmallow. Tudo era melhor nos garotos que tiveram mais autocontrole as 4 anos: melhores empregos, salários mais altos, até a condição física era melhor. Os dados são tão fortes que fazem pensar: será que esse teste, aos 4 anos de idade, consegue realmente prever como vai ser a vida adulta dessas crianças? Uma interpretação desses dados, que não pode ser descartada, é que o autocontrole é geneticamente programado em cada pessoa, em cada cérebro. Ou você demonstra isso até os 4 anos de idade, ou, está estatisticamente condenado ao fracasso.

Mas, felizmente, existem outras formas de interpretar esses dados. Walter revisitou os vídeos das crianças aos 4 anos e concluiu que, absolutamente, todas as crianças passavam pela agonia do açúcar, mesmo aqueles que seguraram a tentação por mais tempo. Eles não foram modelos de força, também sofreram no teste. A única diferença entre os dois grupos de crianças, foi que as crianças que seguraram por mais tempo simplesmente acharam formas de se distrair da tentação: virando as costas, falando sozinhas, cantando, até brincando com o doce de alguma forma. Pois bem, esses garotos simplesmente tinham uma melhor estratégia para lidar com a situação. E estratégia pode ser ensinada, adquirida.

E isso foi feito, num outro experimento, foi possível transformar garotos com menos autocontrole, apenas sugerindo a eles uma estratégia, como pensar em uma historinha, imaginar que o doce é uma pedra, ou simplesmente olhar para o lado. Ainda não deu tempo de verificar se os garotos que aprenderam a estratégia vão conseguir melhores notas no colégio. Sinceramente, não tenho tanta certeza do resultado. Acho que como quase tudo na vida, a genética faz a diferença, mas a experiência pode alterar isso de forma significativa, ambos fatores interagindo e influenciando ao outro. Além disso, vale lembrar que, mesmo nos estudos do Walter, existem claras exceções. Alguns garotos que não conseguiram segurar o impulso do marshmallow, de alguma forma, estavam entre os que se deram melhor na carreira.

Sempre haverá mágica na vida.

Fonte: http://g1.globo.com/platb/espiral/2012/01/12/o-teste-do-marshmallow/

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Pesquisa realizada na Austrália mostra que melancolia alimenta cautela.

Um estudo realizado na Austrália indica que pessoas mal-humoradas tendem a lidar melhor com situações difíceis do que aquelas que vivem mais felizes.

A pesquisa da Universidade de Nova Gales do Sul, e publicada na revista especializada “Australasian Science Magazine”, mostra ainda que os mal-humorados são menos ingênuos e melhores em tomar decisões.

“Enquanto a alegria fomenta a criatividade, a flexibilidade e a cooperação, a melancolia alimenta a atenção e o pensamento cauteloso”, disse à revista o psicólogo Joe Forgas, chefe da equipe que realizou o estudo.

Segundo ele, isso ocorre porque o cérebro das pessoas mal-humoradas promove “estratégias de processamento de informações”.

Tarefas

Na pesquisa, o psicólogo pediu para que voluntários assistissem a diferentes filmes e refletissem sobre acontecimentos positivos e negativos de suas vidas, em uma tentativa de colocá-los de bom ou de mau humor.

Em seguida, os voluntários tinham de realizar uma série de tarefas, como julgar a veracidade de algumas histórias e relatar eventos a que assistiram.

Os que estavam mal-humorados obtiveram melhores resultados que os bem-humorados, ao errar menos e se comunicar melhor.

“Até mesmo um humor moderadamente negativo pode promover um estilo de comunicação mais concreto, acomodativo e mais bem-sucedido”, disse o cientista.

Fontes: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1364518-5603,00-MALHUMORADOS+LIDAM+MELHOR+COM+DIFICULDADES+DIZ+ESTUDO.html

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O mercado de trabalho tornou-se um foco de doenças como depressão e estresse. A tendência já se reflete em forte aumento no número de brasileiros afastados pelo INSS por esse tipo de problema de saúde, informa reportagem de Érica Fraga e Venscelau Borlina Filho publicada na Folha desta sexta-feira.

A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

As concessões de auxílio-doença acidentário –que têm relação com o trabalho– para casos de transtornos mentais e comportamentais cresceram 19,6% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado.

Esse aumento foi quatro vezes o da expansão no número total de novos afastamentos autorizados pelo INSS.

Nenhum outro grupo de doença provocou crescimento tão forte na quantidade de benefícios de auxílio-doença concedidos entre janeiro e junho deste ano.

“Há ondas de doenças de trabalho. A onda atual é a da saúde mental”, diz Thiago Pavin, psicólogo do Fleury.

Mudanças adotadas pelo Ministério da Previdência Social em 2007 facilitaram o diagnóstico de doenças causadas pelo ambiente de trabalho. Isso levou a um forte aumento nas concessões de benefícios acidentários para todos os tipos de doença em 2007 e 2008.

Os afastamentos provocados por casos de transtornos mentais e comportamentais, por exemplo, saltaram de apenas 612 em 2006 para 12.818 em 2008. Mas, depois desse ajuste inicial, tinham subido apenas 5% em 2009 e recuado 10% em 2010.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1011732-afastamentos-por-doencas-mentais-disparam-no-pais.shtml

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Pessoas mais experientes são capazes de ‘desligar’ áreas cerebrais. Técnica também pode contribuir para parar de fumar e lidar com o câncer.

Pessoas que têm experiência em meditação parecem ser capazes de “desligar” áreas do cérebro associadas a devaneios, transtornos psiquiátricos (como esquizofrenia) e autismo, segundo um novo estudo de imagens cerebrais feito por pesquisadores da Universidade Yale, nos EUA. O trabalho foi publicado esta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

A capacidade da meditação em ajudar indivíduos a manter o foco no presente tem sido associada a maiores níveis de felicidade, destacou o principal autor da pesquisa e professor assistente de psiquiatria em Yale, Judson A. Brewer.

Entender como funciona a meditação pode ajudar na investigação de uma série de doenças, afirmou Brewer. “Essa prática tem se mostrado capaz de amenizar vários problemas de saúde, ao contribuir para que pessoas parem de fumar, lidem melhor com o câncer e até mesmo evitem a psoríase”, enumerou o cientista.

A equipe de Yale realizou exames de ressonância magnética funcional em pessoas experientes e novatas na meditação, enquanto elas praticavam três diferentes técnicas de esvaziar a mente dos pensamentos.

Os pesquisadores descobriram que meditadores experientes tiveram uma redução da atividade em áreas cerebrais da chamada rede neural de modo padrão, que tem sido associada a lapsos de atenção e distúrbios como ansiedade, deficit de atenção e hiperatividade, e até acúmulo de placas senis na doença de Alzheimer.

A queda da atividade nessa rede, que engloba a parte medial do córtex cingulado pré-frontal e posterior, foi percebida nos participantes mais experientes, independentemente do tipo de meditação que faziam.

Os exames de imagem também mostraram que, quando a rede neural era ativada, regiões cerebrais associadas ao automonitoramento e ao controle cognitivo foram acionadas nos meditadores de longa data, mas não nos novatos. Isso pode indicar que os primeiros estão constantemente acompanhando e suprimindo o surgimento de divagações e pensamentos sobre si mesmos. Em formas patológicas, esses estados são associados a doenças como autismo e esquizofrenia.

Os participantes mais experientes fizeram isso durante a meditação e também quando estavam descansando. Isso indica que eles desenvolveram um modo padrão “novo”, em que há uma maior consciência no presente e menos foco no “eu”, ressaltam os pesquisadores.

“A capacidade da meditação em ajudar as pessoas a permanecer no presente tem sido parte de práticas filosóficas e contemplativas há milhares de anos”, disse Brewer. “Por outro lado, as marcas de muitas doenças mentais são uma preocupação com os próprios pensamentos, condição que a meditação parece atingir. Isso nos dá algumas pistas de como os mecanismos neurais podem atuar clinicamente”, conclui o autor.

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/11/meditacao-ajuda-proteger-o-cerebro-de-doencas-psiquiatricas-diz-estudo.html

 

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A medicina não considera as diferentes orientações sexuais como doença. Essa é uma conquista que vem dos anos 90. O debate, agora, avança sobre a questão da transsexualidade.

A Justiça se adianta e já reconhece o direito a um novo nome e à mudança de gênero em muitos casos. E, para os brasileiros e brasileiras do mesmo sexo, permite a união estável e também a partilha de bens e heranças. Mas o preconceito, a violência e o abuso ainda marcam a vida de muitos cidadãos.

O programa conversou com especialistas e pessoas que passaram pela batalha de aceitar a si mesmo e serem aceitos pelas famílias. Segundo a psicóloga Ana Ferri, “O papel do psicólogo é o de ajudar o indivíduo a viver a sua sexualidade de maneira mais plena, e não tentar curá-lo, porque a homossexualidade e a bissexualidade não são doenças”. Ela continua: “A homossexualidade não tem a ver com a maneira com que a pessoa foi educada. Os pais não têm influência sobre isso”.

Fonte: http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2011/11/preconceito-sobre-orientacao-sexual-ainda-existe-na-sociedade.html

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Características de personalidade podem passar por transformações ao longo da vida. Então, afirmamos que sua timidez pode ser alterada pelas experiências que você viver ou pelo auxílio de profissionais especializados – como psicólogos.

 Não consideramos que haja um “casamento ideal” entre tais características e uma determinada profissão. Há diversas formas de expressar nossos interesses e nossas características. E não há uma única forma de construir uma carreira em determinada área. Por exemplo: há (bons) atores extremamente tímidos e biblioterácios bastante expansivos e comunicativos, o que contraria as impressões compartilhadas socialmente sobre tais “perfis profissionais”. O importante é encontrarmos nosso jeito de exercitar uma profissão.

Se a timidez incomoda muito ou interfere negativamente em sua vida, busque resolver a questão sem procurar simplesmente adaptar-se ao que seria mais “confortável” no momento. De toda forma, considere um número muito maior de variáveis para fazer sua escolha. Para isso, pesquise as dezenas de respostas já publicadas nesta seção, nelas apontamos muitas destas variáveis.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/orientacao-vocacional/consulte-orientador/qual-melhor-profissao-pessoas-timidas-519085.shtml

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Um diagnóstico de câncer é capaz de deixar cicatrizes psicológicas tão profundas quanto as infligidas pelo envolvimento numa guerra. É o que indica uma nova pesquisa feita com pacientes.

Mais de uma década depois de terem recebido a notícia do diagnóstico, quatro em cada dez sobreviventes relatam sintomas como excesso de tensão permanente, pensamentos perturbadores sobre o câncer ou enfraquecimento dos laços emocionais com amigos e parentes.

São características que se encaixam na definição de síndrome do estresse pós-traumático, problema psiquiátrico que normalmente afeta veteranos de guerra.

Segundo Sophia Smith, pesquisadora do Duke Cancer Institute, na Carolina do Norte (EUA), é concebível que o trauma atrapalhe o prosseguimento da terapia.

“Ficamos preocupados com a possibilidade de o paciente evitar os cuidados médicos e pular os retornos no consultório”, diz. “Não temos dados que demonstrem isso, mas é uma preocupação constante para nós”, afirma a autora do estudo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/990174-estudo-mostra-cicatrizes-psicologicas-do-cancer.shtml

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Membros de ONG fundada por mulher que perdeu irmã gêmea se reúnem para compartilhar experiências.

Para uma psicoterapeuta britânica, o luto vivenciado por uma pessoa que perdeu um irmão gêmeo é muito particular. Tanto que, para apoiar pessoas que sofrem com esse problema, Joan Woodward criou uma organização que oferece apoio psicológico a elas.

A ONG Lone Twin Network foi fundada depois que Woodward, que perdeu a irmã gêmea aos 3 anos, convidou pessoas que haviam passado pela mesma experiência a responder um questionário relatando suas experiências.

Com base em depoimentos de 216 pessoas, coletados nos anos 1980, ela publicou um estudo sobre o tema.

Woodward também é autora de um livro sobre o assunto: ‘The Lone Twin: Understanding Twin Bereavement and Loss’ (em tradução livre, ‘O gêmeo solitário: entendendo o luto e a perde de um gêmeo’).

Incompletude
Em entrevista à BBC, a psicoterapeuta disse acreditar que no seu próprio caso, por exemplo, a perda da irmã, apesar da pouca idade, teve um efeito profundo e duradouro.

‘Não há dúvida de que isso produziu níveis extremos de ansiedade, e de que eu me sentia muito solitária.’

‘Encontrei muitos gêmeos (que perderam irmãos e eles descrevem) uma sensação de que algo está faltando, algo que deveria estar lá e não está.’

Woodward disse que essas pessoas passam o resto de suas vidas buscando vivenciar novamente aquele tipo de proximidade que sentiram com o gêmeo.

‘E o mais difícil é que você anseia por achar aquela proximidade de novo, mas ela nunca está disponível.’

Em suas entrevistas, Woodward conversou com pessoas que perderam gêmeos em diferentes fases da vida: ao nascer, na infância e na idade adulta.

‘Muitos se surpreendem com o quanto uma pessoa que perdeu o gêmeo ao nascer pode ser afetada pela experiência’, explicou.

Segundo a psicóloga, as evidências demonstram que o que realmente importa para os gêmeos é a resposta dos pais àquela perda.

‘Para as mães, essa experiência agonizante de ter dois filhos, um morto e o outro vivo, é muito traumática e dolorosa.’

‘Uma parte de você adora (um dos bebês) e se sente feliz, outra está de luto e desesperadamente triste.’

Depoimentos
Depois de ouvir as experiências de outros gêmeos, Woodward decidiu criar um grupo de ajuda a pessoas na mesma situação.

No site da organização, alguns dos membros tentam colocar em palavras – muitos, pela primeira vez – o que significa a perda de um irmão ou irmã gêmea.

Num deles, um homem com cerca de 60 anos cuja irmã gêmea morreu ao nascer diz:

‘Durante aqueles dois primeiros anos, eu chorei – assim me contam – mantendo
todos à minha volta acordados’. (…) ’46 anos, 157 dias, duas horas e meia mais tarde, a morte de minha irmã gêmea ainda me consome. (…) Fiz a minha estreia no mundo como um assassino – diz a lenda. Isso eu sei não ser verdade. O corpo físico de minha irmâ morreu no nascimento, mas ela sempre foi parte de mim. Brincamos juntos quando crianças, falamos e compartilhamos muitas coisas. Vivemos como (se fôssemos) um’.

Outra integrante do grupo fala da morte do irmão Arnold, já adulto.

‘Faz 15 anos desde que Arnie morreu e ainda me sinto tão machucada. (…) Ele era meu amigo, minha alma gêmea, parte de mim. (…) Quando você tem um gêmeo, de certa forma há uma aceitação completa de que ele é uma parte de você. E essa parte hoje está faltando’.

A ONG Lone Twin Network conta hoje com cerca de 600 membros. Eles se reúnem duas vezes por ano para compartilhar suas experiências e também podem contactar uns aos outros, se tiverem interesse.

‘Não é um grupo de terapia’, explicou Woodward. ‘É o que os gêmeos podem oferecer uns aos outros, ouvindo e compreendendo as experiências uns dos outros.’

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/10/ong-britanica-oferece-apoio-a-pessoas-que-perderam-irmaos-gemeos.html

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