30burnout

Você mal voltou das férias e se sente cansado, nervoso, tem dificuldade para se concentrar e dormir. No trabalho, os colegas notam sua apatia, irritação, as mudanças de humor. Ninguém imagina que esse quadro se manifesta já desde os primeiros momentos do dia, quando você acorda e não tem vontade de levantar. Retomar o ritmo, após alguns dias de descanso, pode ser difícil, é natural e esperado, mas se o desânimo se prolonga no tempo, é possível que você esteja vivenciando uma “depressão pós-férias”.

 Embora não existam registros na literatura médica especializada sobre esse tipo de depressão, ela tem sido definida pelos especialistas como uma situação consequente à transição de um estado de relaxamento ou excitação, para o cotidiano estressante imposto pela rotina do trabalho. Conforme a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association Brasil, outros sinais podem evidenciar o problema: “Há negativismo, dores musculares, principalmente nos ombros e nos maxilares. Entre as mulheres, verificam-se mudanças na libido mais acentuadas, e os homens não têm ânimo nem para fazer a barba. Algumas pessoas sentem até náuseas pela manhã, só de pensar que devem ir trabalhar”.

 Na maioria das vezes, as causas desse desalento generalizado são problemas no ambiente profissional, associados a relacionamentos difíceis, infelicidade com a própria profissão ou frustrações ligadas à carreira: falta de recursos para tocar projetos, ausência de reconhecimento pessoal ou econômico, ter qualificação além ou aquém das próprias responsabilidades etc. “A discrepância entre o que se gostaria de ter e fazer e a realidade gera insatisfação, que se intensifica após o retorno das férias”, diz Rossi.

  Férias Frustradas

Na opinião da psiquiatra Paola Alves, do Hospital Nossa Senhora da Luz (Aliança Saúde PUC-PR e Santa Casa), essas sensações geralmente são consequência da falta de interesse pela atividade que se exerce. Outra possibilidade, explica a especialista, “É que as férias tenham sido insuficientes ou ineficientes, como nos casos em que elas foram utilizadas para resolver problemas pessoais, ou se manteve um segundo emprego. Além disso, existem casos em os sintomas de depressão eram preexistentes e, para essas pessoas, o retorno poderá ser muito mais difícil, principalmente se não estiverem tratando a doença”, completa.

 A dupla jornada do trabalho feminino faz das mulheres presas fáceis dos sintomas, pois mesmo estando longe da profissão, não têm como tirar férias da rotina familiar que inclui casa e filhos. Mas isso não significa que os homens sejam menos suscetíveis: como se sentem responsáveis pelo sustento da família, se o salário não for suficiente para atender à demanda, a desmotivação pode ser ainda maior.

 “A vantagem das mulheres é que elas são mais hábeis para lidar com o problema”, fala Rossi. “Os homens demoram mais para pedir ajuda, o que contribui para o agravamento do quadro. E como não valorizam os próprios sintomas, o resultado, com frequência, é a depressão propriamente dita”.

Profissões de risco

O tipo de profissão também influencia uma maior tendência à depressão pós-férias. Profissionais do mercado financeiro, informática ou profissionais que exerçam atividades diversas daquelas para as quais foram treinados estão no topo da lista dos mais afetados.
E não é só. Lídia Weber, psicóloga e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que quem tem maior probabilidade de vivenciar o problema são aqueles que “Têm o dia-a-dia muito atarefado, os que não sabem dizer não, os que fazem o trabalho pelos outros, os acometidos pelo ‘burnout’ ou os que são ou foram vítimas de assédio”.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/10/30/problemas-no-trabalho-e-insatisfacao-profissional-deflagram-depressao-pos-ferias.jhtm

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3063518595_ab2ec32837Boa parte das pessoas sonha com o momento de aposentar-se e dar adeus definitivamente ao trabalho. No entanto, essa vontade pode não ser a melhor opção à saúde. Uma pesquisa divulgada na edição de outubro da publicação Journal of Occupational Health Psychology, da Associação Americana de Psicologia, afirma que os aposentados que apostam em um emprego de transição desenvolvem menos doenças em relação aos que param completamente.

Para chegar a essa conclusão, Mo Wang, da Universidade de Maryland, e seus colegas analisaram os dados de 12.189 pessoas, com 51 a 61 anos no início do estudo. Todos foram entrevistados, a cada dois anos durante um período de seis anos, sobre saúde, finanças, trabalho e vida de aposentado.


Os pesquisadores levaram em conta problemas como hipertensão, diabetes, câncer, doenças pulmonares e cardíacas, derrames e distúrbios psiquiátricos. Os resultados mostraram que os que se mantiveram ativos com funções temporárias ou de meio período apresentaram menos índices dessas patologias quando comparados aos totalmente aposentados.

 

A avaliação também constatou que quem seguiu atividades relacionadas à sua carreira anterior estava melhor mentalmente do que aqueles que apostaram apenas em descansar. No entanto, os participantes que se aventuraram em outro ramo não apresentaram melhorias. Isso pode acontecer por conta do estresse gerado pela necessidade de adaptar-se a um ambiente ou condições de trabalho diferentes.

Wang verificou que os aposentados com problemas financeiros são mais propensos a entrar em um campo diferente. “Em tais situações, é difícil para os aposentados usufruírem dos benefícios que vêm com o emprego ponte (de transição)”, disse ao site Science Daily.

Fonte: http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI4041418-EI1497,00-Pessoas+que+trabalham+depois+da+aposentadoria+sao+mais+saudaveis.html

 

 

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Um estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, sugere que pessoas de culturas diferentes interpretam expressões faciais de forma diferente.

Os asiáticos que participaram do estudo se concentraram principalmente nos olhos e acharam mais difícil distinguir algumas expressões faciais. Já os ocidentais analisaram toda a face, incluindo olhos e boca.

facialNo estudo, asiáticos tinham mais chances do que os ocidentais de interpretar expressões de “medo” como de “surpresa” e “nojo” como “raiva”.

“O interessante é que, apesar de a região dos olhos ser ambígua, os julgamentos feitos pelos pesquisados tendiam a analisar as emoções de formas menos ameaçadoras socialmente falando. Surpresa ao invés de medo, por exemplo”, afirmou uma das autoras do estudo, Rachael Jack, da Universidade de Glasgow.

“Talvez isso destaque as diferenças culturais no que diz respeito à aceitação social das emoções”, acrescentou.

O trabalho, publicado na revista especializada Current Biology, desafia a ideia de que as expressões faciais são universais.

Sete expressões A equipe de pesquisadores mostrou a 13 ocidentais caucasianos e 13 asiáticos uma série de imagens padronizadas que mostravam as sete principais expressões: feliz, triste, neutra, raiva, nojo, medo e surpresa.

Eles usaram rastreadores de movimentos dos olhos para monitorar para onde os participantes estavam olhando enquanto interpretavam as expressões.

Um programa de computador que recebeu a mesma informação que era recebida pelos olhos dos observadores asiáticos também não foi capaz de distinguir entre as emoções de nojo e raiva, e medo e surpresa.

A pesquisa afirma que os participantes asiáticos usaram uma estratégia de decifração culturalmente específica que era inadequada para distinguir de forma confiável as expressões faciais universais de medo e nojo.

O estudo concluiu que a informação dos olhos é frequentemente ambígua e confusa nestas expressões, com consequências para a comunicação entre culturas e para a globalização.

Os pesquisadores também destacam que esta diferença na percepção é refletida nas diferenças entre os emoticons – caracteres tipográficos usados para simbolizar emoções em emails – asiáticos e ocidentais.

Por exemplo, para simbolizar “surpresa”, os ocidentais usam o símbolo : -o. Já os orientais usaram o símbolo (o.o). Já no emoticon para tristeza, os ocidentais preferem usar : -(, enquanto que os orientais usam (;_;) ou (T_T).

Os emoticons orientais se concentram nos olhos e os ocidentais dão importância à boca.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/08/14/ult2282u1754.jhtm

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A psicoterapia interpessoal de grupo melhorou em 50% sintomas como depressão e ansiedade e em 80% a qualidade de vida de pacientes com transtorno do estresse pós-traumático.

É o que mostra um estudo realizado no Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência da Universidade Federal de São Paulo, que acompanhou, durante 16 semanas, 40 pacientes, que foram submetidos a sessões semanais em grupos de seis a oito pessoas.

Os voluntários haviam passado por situações como assalto e sequestro relâmpago com violência e risco de vida, abuso sexual e sequestro com cativeiro. Todos os pacientes eram crônicos e o evento tinha acontecido, em média, dois anos e meio antes. Eles não estavam respondendo ao tratamento com medicamentos.

No início da psicoterapia, todos apresentavam sintomas considerados severos. Ao final do período, passaram a leves. Segundo os autores, a tendência é de recuperação total em seis meses.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u587852.shtml

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Saia da frente, fúria no trânsito. Vem aí a fúria no trabalho.

A raiva no local de trabalho –patrões e empregados irritados, insultos, pavio curto ou coisa pior– é cada vez mais comum nos Estados Unidos, nesta época em que os americanos se deparam com alta de custos, incertezas profissionais e dívidas absurdas.

“Esse comportamento vai da simples grosseira às atitudes extremamente abusivas”, afirma Paul Spector, professor de psicologia industrial e organizacional da Universidade do Sul da Flórida. “Os casos graves de violência fatal ganham os holofotes, mas de certa forma isso é insidioso, pois o problema afeta milhões de pessoas.”

img_20081015_151228Spector diz que uma de suas pesquisas mostrou que 2% a 3% das pessoas admitem ter empurrado ou batido em alguém no trabalho. Considerando-se os 100 milhões de trabalhadores nos Estados Unidos, isso significaria 3 milhões de pessoas.

Choro e medo

Pesquisas mostram que cerca de metade dos trabalhadores dos Estados Unidos reclamam de gritos e outros abusos verbais no trabalho, e um quarto deles admite ter chorado nessas ocasiões. Um estudo concluiu que um sexto deles se queixa de danos causados pela raiva no trabalho –e um décimo diz ter sofrido violência física e sentir medo no local em que exerce sua profissão.

“É um desastre total”, diz Anna Maravelas, autora do livro “How to Reduce Workplace Conflict and Stress” (“Como Reduzir Conflitos e Estresse no Trabalho”). “Grosseria, impaciência e raiva… Costumávamos ser assim em casa, mas no trabalho tentávamos ser profissionais. Agora, está praticamente virando moda ser assim no trabalho”, considera ela. “As pessoas estão perdendo a vergonha.”

Pressões da conjuntura atual, como a alta no preço dos combustíveis, pioram os humores, lembra John Challenger, diretor da empresa de consultoria Challenger, Gray & Christmas. “As pessoas chegam ao trabalho após um longo caminho, sentados em meio ao trânsito vendo seu rendimento ir pelos ares. Eles estão prontos para brigar”, afirma ele.

Tipo A

Os piores tipos nas relações no trabalho são os profissionais acima da média, que têm desempenho superior, afirma Rachelle Canter, especialista em psicologia social e locais de trabalho.

“O perfil comum [do agressor] é o tipo A, muito, muito esperto e que traça metas impossíveis para ele e para os outros”, diz Rachel. “Esses tipos são tão confiantes –talvez confiantes demais– no sucesso e tão preocupados com a concorrência que perdem o senso de perspectiva, passando a hostilizar os outros.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u421562.shtml

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Sentir ansiedade é normal: às vésperas de uma prova, durante uma decisão por pênaltis ou em uma entrevista de emprego, por exemplo, todo mundo fica apreensivo. Mas, se a ansiedade atrapalha a rotina, vira doença e é preciso tratá-la.

ansiedade“Ter cuidado ao dirigir é normal, mas não dirigir por medo de passar mal, assim como ter medo de usar o elevador por achar que vai morrer asfixiado, por exemplo, são exageros típicos de doenças relacionadas à ansiedade”, diz Tito Paes de Barros Neto, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e autor do livro “Sem Medo de Ter Medo”, guia para ajudar vítimas de fobias.

E como saber se a ansiedade é normal ou uma doença? “Quando a ansiedade faz alguém mudar a rotina de forma freqüente, é preciso tratar”, diz Marina Balieiro, psicóloga do Hospital Edmundo Vasconcelos, da capital.

A ansiedade exagerada é característica de diversas doenças. A mais comum é a agorafobia, cujas vítimas evitam lugares ou situações em que se sintam embaraçadas.

O transtorno de pânico faz a vítima achar que está prestes a morrer ou a enlouquecer. A fobia social se caracteriza quando a pessoa tem medo de ser avaliado pelos outros. Ela passa a evitar festas, atividades coletivas e outras tarefas que exijam exposição –falar em público, então, nem pensar. Outro distúrbio é a ansiedade generalizada, em que a preocupação exagerada se estende pelo dia inteiro, sem razão consistente.

Os transtornos obsessivos-compulsivos e o transtorno de estresse pós-traumático são outros distúrbios relacionados à ansiedade. Em todos os casos, o tratamento envolve terapia e uso de medicamentos.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u420040.shtml

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A terapia comportamental é tão eficaz quanto o uso de remédio no tratamento da depressão de crianças e adolescentes. A associação das duas técnicas, contudo, traz resultados mais rápidos e com menos chances de recaídas.

A conclusão é de um estudo recente realizado a partir de um levantamento financiado pelo Instituto de Saúde Mental dos Estados Unidos, com 439 crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos. O trabalho foi publicado no “Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry”.

A taxa de depressão infantojuvenil vem crescendo em todo o mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Na faixa etária entre seis e 16 anos, por exemplo, ela passou de 4,5% para 8% na última década. A violência urbana, o excesso de atividades na agenda diária e a falta de espaço para o lazer são apontados como os principais fatores.

O trabalho envolveu 13 instituições norte-americanas e testou, isoladamente, três tipos de tratamento: terapia cognitivo-comportamental, antidepressivo (fluoxetina) e a associação de ambos. Ao final de 36 semanas, a taxa de eficácia dos três foi parecida: em torno de 60%.

Até a 18ª semana de tratamento, porém, a combinação de terapia comportamental e de remédio foi melhor do que a chamada monoterapia. As taxas de remissão (ausência de sintomas da depressão) foram de 56% (tratamento combinado) contra 37% (remédio) e 27% (terapia).

Tratamento combinado

Para o médico John March, professor de psiquiatria do Centro Médico da Universidade Duke e coordenador do estudo, se a depressão na criança for de moderada a severa, a recomendação é que o tratamento seja combinado. Se for leve, há indicação de terapia comportamental -e de acrescentar antidepressivo se não houver resposta rápida.

“A terapia comportamental é muito boa, mas o tratamento combinado traz resultados muito melhores, mais rápidos e mais duradouros do que somente a terapia ou a fluoxetina. A associação de tratamentos também elimina o risco de suicídio associado à medicação [fluoxetina]“, explicou à Folha.

A psiquiatra Betsy Kennard, da Universidade do Texas, que também participou do estudo, observa que, com a monoterapia, há uma demora de dois a três meses para surtirem os resultados, em relação ao tratamento combinado.

“As crianças que recebem apenas remédio ou apenas terapia comportamental chegarão ao mesmo ponto em 36 meses [em relação àquelas que usam terapia combinada]. Mas, como pai ou mãe, você não vai querer ver seu filho sofrendo por tanto tempo.”

Recaídas

O psiquiatra infantil Fábio Barbirato, professor da Santa Casa do Rio de Janeiro, acrescenta que a terapia associada à medicação traz menos chances de recaída. “A depressão costuma ser flutuante: há uma melhora, uma piora. As crianças que tomam o remédio e fazem terapia têm menos recaídas em relação às outras.”

Para Barbirato, a mensagem do estudo é que os médicos não devem desistir de tratar crianças e adolescentes deprimidos. “Muitos acabam sendo expostos a um tratamento ineficaz e que traz riscos à sua saúde por conta de diagnósticos errados, baseados em mitos.”

Vários estudos têm demonstrado que crianças com sintomas depressivos não tratados possuem mais chances de cometer suicídio, de se tornarem dependente de drogas ou de manter a doença na idade adulta. “Não tem essa conversa de que as coisas vão melhorar com o tempo. Sem tratamento, quem sofre é a criança.”

O psiquiatra acredita que a polêmica que ainda existe em torno do uso de antidepressivo em crianças “é coisa de profissional que não está bem atualizado e que vai contra tudo o que existe de mais atual”.

Barbirato diz que já atendeu um garoto de sete anos de idade que havia tentado duas vezes o suicídio. “Ele já tinha passado por várias terapias inúteis. Depois de dois anos com terapia comportamental e remédio, ele teve alta. Está sem remédio, nunca mais recaiu.”

Na avaliação do psiquiatra Eurípedes Miguel, professor titular do departamento de psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), a grande importância do estudo foi ter demonstrado que a manutenção do tratamento a longo prazo é fundamental para os adolescentes conseguirem a remissão dos sintomas da depressão.

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Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u588411.shtml

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codependencia_familia

Pesquisa premiada amplia conceito de codependência.

Uma pessoa muito responsável, afetuosa, que resolve todos os problemas do outro e evita conflitos. Por trás desses adjetivos pode estar um transtorno conhecido como codependência, que teve seu conceito ampliado pela psicóloga mexicana Gloria Noriega Gayol.

Ela apresentou seu estudo – que lhe rendeu o prêmio Eric Berne, em 2008, concedido pela International Transactional Analysis Association – durante o Congresso Brasileiro de Análise Transacional (Conbrat), no Rio.

Sua pesquisa com 830 mulheres em um centro de saúde no México revelou que a codependência – que antes estava ligada a pessoas que conviviam com alcoólicos e dependentes de drogas – também se apresenta quando há situações de estresse familiar ou social, como abandono, violência doméstica e perdas na infância, seja por morte ou separação dos pais ou de outro membro da família.

“A pessoa codependente é muito responsável, trabalhadora, que tem empatia, que gosta de ajudar os outros e resolve os problemas dos outros. Contudo, seu problema é que não vê seus próprios problemas, não atende suas próprias necessidades. Vive a vida atendendo as necessidades dos demais, mas não vê suas próprias necessidades”, explica Gloria.

“Então muitas vezes acaba fatigada, cansada, assoberbada, doente. Porque faz demais, enquanto a pessoa dependente faz de menos. A pessoa codependente pode ser muito carinhosa, muito afetuosa, mas não recebe o afeto que merece”.

A psicóloga, que é diretora do Instituto Mexicano de Análise Transacional, explica que são pessoas que não dependem de substâncias e sim de outras pessoas dependentes, absorvendo seus problemas. Esse distúrbio é mais comum nas relações de casal e afeta 25% das mulheres. Para se ter uma ideia, durante um de seus cursos no Rio, 50% das mulheres presentes se identificaram com o transtorno ao responder um teste que Gloria aplica para conhecer experiências que podem indicar sintomas de codependencia.

Segundo a psicóloga Danielle Tavares, que presidiu o congresso realizado em Botafogo, Zona Sul do Rio, o problema é mais comum no público feminino porque esse comportamento nas mulheres é valorizado em nossa sociedade.

“Os codependentes normalmente são pessoas doces, responsáveis, que se importam com o outro. Querem amenizar situações, manejar os conflitos, e isso é um tipo de coisa que acontece primordialmente com as mulheres. Por quê? Porque esse tipo de comportamento, dentro da nossa cultura, é valorizado. Então a mulher tem uma maior predisposição em assumir um comportamento codependente”, explica Danielle.

Em geral são pessoas que tiveram que apressar seu crescimento e dar conta de tarefas que não eram próprias da sua idade. Com isso, começam a ter responsabilidades muito cedo e se acostumam a resolver problemas, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo.

“Dependentes são aqueles que não fazem a sua parte na relação. Os codependentes fazem a sua parte mais a parte do outro”, conta Danielle.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1176151-5606,00-PSICOLOGA+MEXICANA+APRESENTA+NO+RIO+DISTURBIO+QUE+AFETA+DAS+MULHERES.html

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estigma 

Psiquiatra fala, em artigo, sobre como encarar doença mental. Sally Satel é acadêmica residente no American Enterprise Institute. 

 No último outono, a televisão britânica transmitiu um reality show chamado “O Quão Louco é Você?” O enredo era simples: dez voluntários viviam juntos, durante uma semana, num castelo em Kent, e participavam de uma série de desafios.

A novidade era a falta de um prêmio.

Cinco dos voluntários tinham um histórico de doença mental séria, como transtorno obsessivo-compulsivo ou distúrbio bipolar, e cinco não. Os desafios, criados para extrair sintomas latentes, incluíam limpar um estábulo, realizar uma comédia stand-up, e se submeter a exames psicológicos.

Mas o verdadeiro teste veio no final da semana.

Poderia um painel de peritos – um psiquiatra, um psicólogo e uma enfermeira psiquiátrica – distingui-los entre si?

Eles não puderam. Após assistir a horas de gravações, os peritos identificaram corretamente apenas duas das cinco pessoas com histórico de doença mental. Eles ainda identificaram erroneamente duas pessoas saudáveis como portadoras de distúrbios.

O ponto estava feito: nem mesmo profissionais treinados conseguem, com confiança, determinar uma doença mental apenas pelas aparências.

“Ter uma doença mental não precisa se tornar sua característica definidora”, escreveu o produtor, Rob Liddel, na descrição do programa. “Isso não deveria separar as pessoas na sociedade”. O principal grupo defensor da saúde mental na Inglaterra e no País de Gales, chamado MIND, elogiou o produto televisivo por encorajar os telespectadores a “reexaminar suas pré-concepções”.

Mas o que renderia esse reexame? A crença de que pessoas com graves doenças mentais não são diferentes dos outros?

Espero que não.

Uma ficção tão tranquilizadora nos distrai da verdadeira razão pela qual os peritos ficaram confusos. Não é que as pessoas com problemas psiquiátricos sejam indistinguíveis dos outros. Os especialistas tropeçaram porque os sintomas mais dramáticos dos participantes – depressão imobilizadora, manias agitadas, mãos sendo insistentemente lavadas, e muito mais – haviam sido tratados e estavam sob controle.

“O Quão Louco é Você?” pode ser o primeiro reality show de seu tipo, mas se encaixa num gênero muito bem estabelecido de marketing social, focado em acabar com estereótipos e dissipar posturas negativas a respeito de pessoas com doenças mentais.

A Associação Psiquiátrica Mundial patrocina campanhas anti-estigma em 20 países. Nos Estados Unidos, a agência Substance Abuse and Mental Health Services Administration possui um centro de recursos para promover aceitação, dignidade e inclusão social associadas à saúde mental. A Aliança Nacional da Doença Mental tem um programa chamado StigmaBusters (algo como destruidores de estigmas) “para quebrar as barreiras da ignorância, preconceito ou discriminação ao promover a educação, o entendimento e o respeito”.

Mas essas campanhas funcionam? Houve poucas avaliações rigorosas. De acordo com um artigo de 2006, publicado no Psychiatric Services, um jornal da Associação Psiquiátrica Americana, “a educação produz melhorias de curto prazo em posturas, todavia, a magnitude e duração da melhoria, em atitudes e comportamentos, pode ser limitada”.

Essa conclusão não é uma surpresa. É notoriamente difícil mudar atitudes através de apelos, compaixão e educação. Keith Humphreys, psicólogo da Universidade Stanford, oferece uma boa analogia na forma da hostilidade inicial, vivida no século XIX, pelos americanos em relação a grupos de imigrantes – irlandeses, italianos, judeus. A aversão diminuiu com o tempo, não pelas propagandas, campanhas e cartazes, mas porque esses imigrantes foram bem sucedidos na América – e nada desestigmatiza tão bem como o sucesso.

Se “O Quão Louco é Você?” melhorasse as atitudes dos telespectadores, o crédito deveria ir para o tratamento, a mais eficaz força anti-estigma existente.

Imagine pobres almas psicóticas assustadas portas de entrada, arrastando os pés em trapos mal-cheirosos, ou discutindo alto uns com os outros no parque. Nenhum pronunciamento de serviço público deixará a audiência com menos medo deles ou tranquilizará futuros vizinhos quando um abrigo para doentes mentais resolve se estabelecer em seu quarteirão.

Mudar as posturas públicas em relação aos doentes mentais depende amplamente de tratamentos efetivos. Isso, por sua vez, coloca em movimento uma situação de auto-reforço: quanto mais aquele tratamento parece funcionar, mais ele é encorajado.

Nós vemos isso em algumas das tendências mais recentes da promoção de tratamentos: medicamentos psiquiátricos são rotineiramente anunciados na televisão. O exército está dando passos significativos para tornar padrão o tratamento do estresse de combate. No último outono, o presidente George W. Bush assinou uma lei que proíbe a discriminação de seguros de saúde contra pacientes com doenças mentais.

Campanhas anti-estigma são muito bem intencionadas, porém, lhes falta um elemento crucial. Não importa o quão simpático seja o público, as atitudes em relação a pessoas com doenças mentais vão inevitavelmente depender do quanto seus sintomas os tornam diferentes.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1094741-5603,00.html

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6107

A dona de casa Elisandra Bonfim, 28, fez terapia durante 12 anos. Teve duas psicólogas, chegou a ter sessões todos os dias da semana e gostava do processo. Mas diz que, com a última delas, que a atendeu por cinco anos, nunca teve coragem de ir para o divã.

Tinha medo de que a terapeuta dormisse, pois ela bocejava com frequência. “Acho que ela estava cansada naquela época, mas eu ficava muito incomodada com isso, pois acontecia em quase toda sessão. Cheguei a falar com ela, mas nada mudou”, conta.

Outro problema era o fato de a profissional olhar demais para o relógio. “Sei que não pode passar da hora, mas eu ficava irritada com isso. Às vezes eu estava contando alguma coisa, tinha vários sentimentos envolvidos ali”, lembra.

As atitudes descritas por Elisandra são algumas das citadas em uma lista que traz 12 maus hábitos que todo terapeuta deveria evitar. O autor também é psicólogo: o americano John Grohol, criador do portal Psych Central (www.psychcentral.com), acessado mensalmente por 800 mil pessoas e eleito um dos 50 melhores de 2008 pela revista “Time”.

A Folha selecionou dez comportamentos citados por Grohol e pediu a especialistas brasileiros que os comentassem. Muitos deles não são um problema quando ocorrem isoladamente, mas podem atrapalhar a terapia quando se tornam um hábito.

Se eles passam a incomodar o paciente, a recomendação é ser sincero. “O paciente tem o direito de expressar as necessidades dele”, diz a psicóloga Regina Wielenska, supervisora de terapia comportamental do curso de terapia comportamental e cognitiva do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo).

 

1 Comer na frente do paciente

Esporadicamente, no caso de uma sessão extra pedida pelo paciente e marcada no horário de uma refeição, por exemplo, a atitude é aceitável, afirma o psicólogo Roberto Banaco, professor titular da PUC-SP.

“É melhor oferecer apoio ao cliente comendo do que negar esse apoio por falta de horário”, diz Banaco. Mas necessidades pessoais como essa deveriam acontecer em outro contexto. “Comer na sessão mostra desrespeito pelo paciente”, diz Wielenska.

2 Atender ao telefone

Emergências acontecem. O terapeuta pode ter de atender um paciente internado ou com risco de suicídio, por exemplo.

Nesse caso, o mais aconselhável é avisar antecipadamente ao paciente que isso pode acontecer e ser breve. “Se existir essa possibilidade, o terapeuta deveria dizer que, em caráter excepcional, pode ser necessário atender a uma ligação urgente. Mas isso deve ser raro, não pode se tornar um hábito”, afirma Wielenska.

 

3 Tomar notas em excesso

A figura do analista com um bloquinho na mão, que aparece em charges e filmes, é um falso símbolo da psicanálise, diz Cyrino. “Freud não anotava durante as sessões porque isso fragmenta a compreensão da situação da análise. Quem interrompe para tomar notas perde o fio da meada. O pensamento é muito mais rápido do que a palavra escrita. E o paciente se sente perseguido.”

4 Atrasar-se para a sessão

“Quando o profissional estender a sessão desse cliente, ele saberá que os atrasos devem-se ao acolhimento para quem precisa, em contraposição à regra fria de que a sessão dura “X” minutos”, diz Banaco. Ele acredita que, quando a demora é grande, o terapeuta deve dar satisfação a quem aguarda.

5 Ser pouco acessível

Segundo os especialistas, deve haver um meio-termo em relação a esse item. Por um lado, não é recomendável que o cliente desenvolva uma extrema dependência do terapeuta. “Um paciente carente pode querer estar ligado 24 horas ao analista, como se fosse um bebê em simbiose com a mãe”, compara Cyrino.

Por outro lado, estar inteiramente fora do alcance, especialmente em situações graves, não é aconselhável. “O terapeuta não pode ser impossível nem dar a impressão de disponibilidade total, como se fosse só do paciente -o que é um desejo frequente e compreensível”, diz o psicanalista.

 

6 Olhar demais para o relógio

Segundo Cyrino, com a experiência, o terapeuta ganha uma noção de tempo automática. “Mas ele não é máquina. Um recurso é ter um relógio num lugar discreto e consultá-lo sem caráter ostensivo.” Já se isso ocorrer com um paciente específico, o terapeuta deve se perguntar o que está acontecendo na relação com ele.

7 Bocejar demais

Bocejar não é o problema: como qualquer pessoa, o terapeuta pode estar cansado em um determinado dia. A questão é quando a atitude se torna um hábito, que costuma ser interpretado pelo paciente como falta de interesse.

8 Contato físico excessivo

No Brasil, costuma ser aceito um maior contato físico ao cumprimentar alguém. “Na nossa cultura, é normal dar um beijinho ou um ligeiro abraço. O terapeuta pode fazer isso com leveza e rapidez, sem tom erótico”, diz Wielenska.

9 Falar demais sobre si mesmo

A chave é ver se há propósito terapêutico. “Qualquer fala sobre si mesmo que não tenha um propósito terapêutico é uma fala em demasia”, diz Banaco.

10 Vestir-se inadequadamente

Como qualquer pessoa, o terapeuta tem seu estilo e não precisa abrir mão dele no ambiente profissional. “Atendemos surfistas, publicitários, executivos. Não podemos ser camaleões para nos ajustarmos ao estilo de cada cliente. O terapeuta só não pode estar vestido de maneira profundamente chamativa, vulgar, suja ou descuidada. O resto é uma questão pessoal”, diz Wielenska.

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u550251.shtml

 

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